Açúcar fecha sem direção única após forte valorização; petróleo limita avanço em Nova Iorque

Enquanto Nova Iorque devolveu parte dos ganhos da véspera, Londres renovou a máxima de nove meses; clima na Índia e menor oferta global seguem sustentando o mercado.
Publicado em 02/07/2026 15:37 e atualizado em 02/07/2026 16:10

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O mercado internacional do açúcar encerrou o pregão desta quinta-feira (2) sem uma direção única. Após a forte valorização registrada na véspera, os contratos em Nova Iorque passaram por um movimento de ajuste e fecharam em queda, enquanto Londres ampliou os ganhos e renovou o maior patamar dos últimos nove meses. Apesar da correção parcial, as preocupações com a oferta global seguem dando sustentação às cotações.

Em Nova Iorque, o contrato outubro do açúcar bruto recuou 14 pontos e encerrou o dia cotado a 14,85 cents por libra-peso.

Já em Londres, o contrato agosto do açúcar branco avançou 200 pontos, fechando a US$ 483,10 por tonelada, o maior nível em cerca de nove meses.

A pressão sobre os contratos em Nova Iorque veio principalmente do mercado de energia. O petróleo WTI caiu ao menor nível em aproximadamente quatro meses e pressionou os preços do etanol. Com um cenário menos favorável para o biocombustível, cresce a expectativa de que usinas ao redor do mundo destinem uma parcela maior da cana para a produção de açúcar, ampliando a oferta da commodity no mercado internacional.

Apesar desse fator baixista, os fundamentos seguem favoráveis aos preços. O mercado continua atento às condições climáticas na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar. Dados do Departamento Meteorológico indiano mostram que o acumulado de chuvas da temporada de monções permanecia 38%. O Ministério de Ciências da Terra do país também alertou que esta pode ser a monção mais fraca dos últimos 11 anos.

Como o período de monções, entre junho e setembro, é decisivo para o desenvolvimento da cana-de-açúcar, persistem as preocupações de que a produção indiana, assim como a da Tailândia, fique abaixo do esperado, reduzindo a oferta global.

Na avaliação de João Baggio, diretor-presidente da G7 Agro Consultoria, as oscilações diárias não alteram o cenário de fundo, que continua sendo de suporte para os preços.

"Agora o mercado vai acompanhar o clima. Se as monções continuarem fracas na Índia e na Tailândia, os preços podem subir ainda mais. Além disso, o mercado está observando se as usinas brasileiras continuarão priorizando o etanol. Esses são os fatores que devem definir o comportamento das bolsas nos próximos meses", afirma.

Os fundamentos brasileiros também seguem no radar dos investidores. Dados divulgados pela Unica mostram que a produção de açúcar do Centro-Sul alcançou 6,84 milhões de toneladas até o fim de maio na safra 2026/27, volume 2% inferior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.

Além da menor produção, o mix das usinas continua favorecendo o etanol. A participação da cana destinada à fabricação de açúcar caiu para 41,42%, enquanto a parcela direcionada ao biocombustível avançou para 58,38%, reduzindo a disponibilidade do adoçante para exportação.

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Por:
Andréia Marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

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