Açúcar opera sem direção única após forte alta; clima na Ásia segue no radar do mercado
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As cotações do açúcar operam sem direção definida nas bolsas internacionais nesta quinta-feira (2), após a forte valorização registrada na sessão anterior. Enquanto os contratos em Nova Iorque recuam após as fortes altas da véspera, os preços em Londres seguem em alta, sustentados pelas preocupações com a oferta global da commodity diante do clima adverso na Ásia.
Por volta das 8h40 (horário de Brasília), em Nova Iorque, o contrato outubro era negociado a 14,95 cents por libra-peso, com recuo de 4 pontos. O contrato março/27 era cotado a 15,85 cents por libra-peso, baixa de 3 pontos.
Em Londres, os preços mantinham o viés positivo. O contrato agosto avançava 360 pontos, para US$ 486,60 por tonelada, enquanto o outubro subia 200 pontos, negociado a US$ 476,80 por tonelada.
Na quarta-feira (1º), as bolsas registraram forte alta, levando o açúcar em Nova Iorque ao maior patamar em sete semanas e o açúcar branco em Londres ao maior nível em mais de nove meses. O movimento refletiu o aumento das preocupações com a oferta global, diante das perspectivas de redução da produção na Índia e na Tailândia.
O principal fator de sustentação continua sendo o clima na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar. Dados do Departamento Meteorológico do país mostram que o acumulado de chuvas da temporada de monções permanecia 38% abaixo da média histórica até 1º de julho. Além disso, o Ministério de Ciências da Terra da Índia alerta que esta pode ser a monção mais fraca dos últimos 11 anos.
Como o período de monções, entre junho e setembro, é decisivo para o desenvolvimento da cana-de-açúcar, o mercado acompanha atentamente os impactos que a escassez de chuvas pode provocar sobre a produção indiana. A preocupação também se estende à Tailândia, outro importante exportador da commodity.
Na avaliação de João Baggio, diretor-presidente da G7 Agro Consultoria, o mercado já começou a precificar um cenário de menor oferta global.
"As monções estão indicando que não serão satisfatórias. Então a produção da Tailândia pode ser menor e a da Índia também. O mercado está olhando para isso e precificando uma oferta mais apertada", afirma.
Segundo o consultor, outro fator que reforça a alta é a política da Índia de ampliar a produção de etanol, reduzindo a disponibilidade de açúcar para exportação.
"A Índia entrou forte na produção de etanol para reduzir a dependência de combustíveis fósseis. Produzindo mais etanol, vai produzir menos açúcar. Se esse movimento continuar, a Índia pode deixar de ser exportadora e até se tornar importadora de açúcar. Nesse cenário, o Brasil tende a suprir essa demanda", explica.
Os fundamentos brasileiros também continuam oferecendo suporte às cotações. Dados divulgados pela Unica mostram que a produção de açúcar do Centro-Sul atingiu 6,84 milhões de toneladas até o fim de maio na safra 2026/27, volume 2% inferior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.
Além da menor produção, as usinas seguem priorizando o etanol. A participação da cana destinada à fabricação de açúcar caiu para 41,42%, enquanto a parcela direcionada ao biocombustível avançou para 58,38%, reduzindo a oferta do adoçante no mercado internacional e reforçando o viés de sustentação para os preços.
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