Mercado do açúcar mantém alta com preocupação sobre produção na Índia

Déficit de chuvas das monções, menor produção no Centro-Sul e restrições à colheita no mercado brasileiro seguem sustentando as cotações.
Publicado em 01/07/2026 11:59

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Os preços do açúcar seguem em alta nas bolsas internacionais nesta quarta-feira (1º), com o mercado reforçando a percepção de uma oferta global mais apertada. As preocupações com o déficit de chuvas na Índia continuam sustentando as cotações, enquanto os dados da safra brasileira e as condições de colheita no Centro-Sul também permanecem no radar dos investidores.

Por volta das 12h (horário de Brasília), em Nova Iorque, o contrato outubro era negociado a 14,96 cents por libra-peso, alta de 14 pontos. Já o contrato março/2027 avançava 12 pontos, cotado a 15,88 cents por libra-peso.

Em Londres, as cotações também operavam em alta. O contrato agosto era negociado a US$ 481,50 por tonelada, avanço de 690 pontos, enquanto o contrato outubro subia 600 pontos, para US$ 473,20 por tonelada.

O principal fator de sustentação continua sendo o clima na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar. Dados do Departamento Meteorológico do país mostram que o acumulado de chuvas da temporada de monções permanecia 42% abaixo da média histórica até 29 de junho. Além disso, o Ministério de Ciências da Terra da Índia alertou que a monção deste ano pode ser a mais fraca dos últimos 11 anos.

Como o período de monções, entre junho e setembro, é decisivo para o desenvolvimento da cana-de-açúcar, o mercado acompanha de perto os possíveis impactos da escassez de chuvas sobre a produção indiana e, consequentemente, sobre a oferta global da commodity.

No Brasil, os fundamentos também seguem oferecendo suporte às cotações. Dados divulgados pela Unica mostram que a produção de açúcar do Centro-Sul atingiu 6,84 milhões de toneladas até o fim de maio na safra 2026/27, volume 2% inferior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.

A entidade também destacou uma mudança no mix de produção das usinas. A participação da cana destinada à fabricação de açúcar caiu para 41,42%, ante 50,09% na safra passada, enquanto a parcela direcionada ao etanol aumentou para 58,38%, refletindo a maior atratividade do biocombustível.

Mercado interno

No mercado físico brasileiro, os preços do açúcar cristal branco registraram leve recuperação na semana passada, segundo levantamento do Cepea. As chuvas em importantes regiões produtoras reduziram o ritmo da colheita e limitaram a oferta do adoçante no mercado paulista.

Apesar disso, o Centro de Pesquisas destaca que a liquidez segue baixa. Muitos compradores permanecem cautelosos e aguardam preços mais competitivos antes de fechar novos negócios.

Na avaliação do Cepea, a percepção de uma oferta relativamente confortável continua predominando. Entre os fatores apontados estão o avanço da produção de etanol de milho e a elevada capacidade de produção de açúcar instalada no Centro-Sul, que tendem a limitar movimentos mais intensos de valorização no mercado interno.

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Por:
Andréia Marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

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