Açúcar fecha em alta pelo quarto pregão seguido; Nova Iorque atinge maior nível em seis semanas
![]()
As cotações do açúcar fecharam em alta nas principais bolsas internacionais nesta terça-feira (30), estendendo os ganhos pelo quarto pregão consecutivo. O mercado segue sustentado pelas preocupações com a oferta global, diante do déficit de chuvas durante a temporada de monções na Índia. Em Nova Iorque, os preços atingiram o maior patamar das últimas seis semanas.
O contrato julho do açúcar bruto negociado em Nova Iorque encerrou o dia com alta de 5 pontos, cotado a 14,34 cents por libra-peso.
Em Londres, o contrato agosto do açúcar branco avançou 100 pontos, fechando a US$ 474,60 por tonelada.
O principal fator de sustentação continua sendo o clima na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar. Dados do Departamento Meteorológico do país mostram que o acumulado de chuvas da temporada de monções permanecia 42% abaixo da média histórica até 29 de junho. Além disso, o Ministério de Ciências da Terra da Índia alertou que a monção deste ano pode ser a mais fraca dos últimos 11 anos.
Como o período de monções, entre junho e setembro, é fundamental para o desenvolvimento da cana-de-açúcar, o mercado acompanha de perto os possíveis impactos da escassez de chuvas sobre a produção indiana e, consequentemente, sobre a oferta global da commodity.
No Brasil, os fundamentos também seguem oferecendo suporte aos preços. Dados divulgados pela Unica mostram que a produção de açúcar do Centro-Sul atingiu 6,84 milhões de toneladas até o fim de maio na safra 2026/27, volume 2% inferior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.
A entidade também destacou a mudança no mix das usinas. A participação da cana destinada à produção de açúcar caiu para 41,42%, ante 50,09% na safra passada, enquanto a parcela direcionada ao etanol aumentou para 58,38%, refletindo a maior atratividade do biocombustível.
Outro fator positivo veio da consultoria Czarnikow, que revisou sua estimativa para o balanço global de açúcar da safra 2026/27. A projeção passou de um superávit de 1,4 milhão de toneladas para um déficit de 100 mil toneladas, diante da expectativa de maior produção de etanol pelas usinas brasileiras.
Mercado interno apresenta comportamento misto
No mercado doméstico, o Indicador CEPEA/ESALQ para o açúcar cristal branco voltou a registrar valorização. A saca de 50 quilos foi negociada a R$ 92,69, alta diária de 0,41%. Apesar da recuperação, o indicador encerrou junho com leve queda acumulada de 0,33%, refletindo a volatilidade observada no mercado físico ao longo do mês.
Já o etanol hidratado apresentou movimento oposto. O Indicador Diário Paulínia apontou preço de R$ 2.379,50 por metro cúbico, recuo diário de 0,31%. Mesmo assim, o biocombustível acumulou valorização de 1,19% em junho.
0 comentário
Açúcar encerra semana em alta em Londres com oferta global no radar e clima na Índia sustentando mercado
Açúcar amplia ganhos em Londres e mercado segue atento ao clima na Índia e à oferta global
Cana-de-açúcar: área disponível para colheita cresce 3% e renovação dos canaviais movimenta ranking dos maiores produtores do Centro-Sul, revela Serasa Experian
Após volatilidade, preços dos combustíveis caem e etanol chega a perder quase 9% em 2 meses
Açúcar fecha sem direção única após forte valorização; petróleo limita avanço em Nova Iorque
Produção de açúcar no Brasil deve cair 9,5% no início de junho