Açúcar dispara nas bolsas com preocupação sobre safra da Índia; Londres atinge maior nível em 9 meses
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As cotações do açúcar fecharam em forte alta nas bolsas internacionais nesta segunda-feira (29). O mercado foi impulsionado pelas preocupações com a safra da Índia, em meio ao déficit de chuvas das monções, levando o açúcar bruto em Nova Iorque ao maior patamar das últimas três semanas e o açúcar branco em Londres à máxima em nove meses e meio.
Em Nova Iorque, o contrato julho do açúcar bruto encerrou o pregão com alta de 31 pontos, cotado a 14,29 cents por libra-peso.
Em Londres, o contrato agosto do açúcar branco avançou 960 pontos, fechando a US$ 473,60 por tonelada.
Os preços avançaram pelo terceiro pregão consecutivo, sustentados pelas preocupações com a oferta global. Segundo o Departamento Meteorológico da Índia, o acumulado de chuvas da temporada de monções permanecia 42% abaixo da média histórica até 29 de junho. Além disso, o Ministério de Ciências da Terra do país alertou que a monção deste ano pode ser a mais fraca dos últimos 11 anos.
Como a temporada de monções, que vai de junho a setembro, é fundamental para o desenvolvimento da cana-de-açúcar, o mercado teme que a escassez de chuvas comprometa a produção da Índia, segundo maior produtor mundial da commodity.
Outro fator de sustentação continua sendo a safra brasileira. Dados divulgados pela Unica mostram que a produção de açúcar do Centro-Sul atingiu 6,84 milhões de toneladas até o fim de maio na safra 2026/27, volume 2% inferior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.
A entidade também informou que as usinas ampliaram o direcionamento da cana para a produção de etanol. A participação da matéria-prima destinada ao açúcar caiu para 41,42%, contra 50,09% na safra passada, enquanto o percentual destinado ao etanol avançou para 58,38%.
Na mesma linha, a consultoria Czarnikow revisou sua estimativa para o balanço global de açúcar da safra 2026/27, passando de um superávit de 1,4 milhão de toneladas para um déficit de 100 mil toneladas. A revisão reflete a expectativa de menor produção de açúcar no Brasil diante da maior atratividade do etanol.
Apesar da forte recuperação observada nos últimos dias, o mercado continua acompanhando os desdobramentos da reabertura do Estreito de Ormuz. A normalização da principal rota marítima da região tende a reduzir os custos de frete, seguros e combustíveis, fator que pode aliviar parte da pressão sobre os preços da commodity no mercado internacional.
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