Açúcar sobe nas bolsas internacionais com risco climático na Índia e suporte da safra brasileira
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Os preços do açúcar fecharam em alta nas bolsas internacionais nesta sexta-feira (26), impulsionados pelas preocupações com a oferta global. As cotações foram sustentadas, principalmente, pelo déficit de chuvas durante a temporada de monções na Índia, que pode comprometer a produção do segundo maior produtor mundial da commodity.
Em Nova Iorque, o contrato julho do açúcar bruto encerrou o pregão com alta de 43 pontos, cotado a 13,98 cents por libra-peso, atingindo o maior patamar em duas semanas.
Em Londres, o movimento foi ainda mais intenso. O contrato agosto do açúcar branco avançou 193 pontos e fechou cotado a US$ 464,00 por tonelada, renovando a máxima dos últimos dois meses e três semanas.
O principal fator de sustentação do mercado continua sendo o clima na Índia. Dados divulgados pelo Departamento Meteorológico do país mostram que o acumulado de chuvas da temporada de monções permanecia 42% abaixo da média histórica até 26 de junho. Além disso, o Ministério de Ciências da Terra da Índia alertou que a monção deste ano pode ser a mais fraca dos últimos 11 anos.
Como a temporada de monções, entre junho e setembro, é decisiva para o desenvolvimento da cana-de-açúcar, o mercado segue atento aos possíveis impactos sobre a produção indiana e, consequentemente, sobre a oferta global de açúcar.
No Brasil, os fundamentos também continuam dando suporte às cotações. A Unica informou que a produção de açúcar no Centro-Sul atingiu 6,84 milhões de toneladas até o fim de maio na safra 2026/27, volume 2% inferior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.
Os dados também mostram uma mudança importante no mix de produção das usinas. A participação da cana destinada à fabricação de açúcar caiu para 41,42%, ante 50,09% na safra passada, enquanto a parcela direcionada ao etanol avançou para 58,58%, refletindo a maior atratividade do biocombustível.
Outro fator positivo veio da consultoria Czarnikow, que revisou sua estimativa para o balanço global de açúcar da safra 2026/27. A projeção passou de um superávit de 1,4 milhão de toneladas para um déficit de 100 mil toneladas, diante da expectativa de maior produção de etanol pelas usinas brasileiras.
Apesar da recuperação observada ao longo da semana, o mercado continua acompanhando os reflexos da reabertura do Estreito de Ormuz, que reduziu os temores sobre interrupções no comércio global. A normalização da rota marítima tende a diminuir os custos de frete, seguros e combustíveis, fator considerado baixista para o açúcar no médio prazo.
Os investidores também permanecem atentos aos impactos do fenômeno El Niño. A expectativa é de que o evento climático reduza as chuvas em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia, aumentando os riscos para a oferta mundial da commodity nos próximos meses.
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