Açúcar passa por momento de alta pressão global e cenário segue sendo pessimista para os preços

Safra ativa no Brasil e posição especulativa pressionada mantêm o mercado sem sinais de mudança no curto prazo
Publicado em 24/06/2026 07:10 e atualizado em 24/06/2026 07:40

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O mercado do açúcar atravessa um período de forte viés baixista nas últimas semanas, refletindo uma combinação de fatores financeiros, climáticos e de oferta global. Apesar de algumas recuperações pontuais nas cotações, o sentimento predominante entre analistas segue negativo no curto prazo.

Segundo o analista de mercado Leonardo Silvestre, um dos principais vetores dessa pressão vem do posicionamento dos fundos especulativos. “Os fundos têm aumentado novamente a posição vendida, hoje acima de 100 mil lotes de venda, o que pressiona o mercado”, afirma.

Além do fluxo financeiro, o comportamento do petróleo também influencia o açúcar, já que interfere diretamente na paridade com o etanol. “O arrefecimento do petróleo também corrobora na questão da paridade dos combustíveis, que influencia o etanol e, consequentemente, o açúcar”, explica Silvestre.

Oferta ainda confortável no curto prazo

Mesmo com as incertezas climáticas no radar, o mercado ainda trabalha com a percepção de oferta global confortável no curto prazo, especialmente devido ao desempenho da safra brasileira. “O Brasil está produzindo, a cana está vindo, o ATR está vindo, então as usinas estão conseguindo moer”, diz o analista. “No curto prazo, o mercado entende que o estoque global está confortável.”

Esse cenário ajuda a manter os preços pressionados, inclusive em níveis próximos ou abaixo do custo de produção em alguns momentos. No entanto, ele destaca que há uma diferença importante entre o curto e o médio prazo.

“No curto prazo, está pressionado para queda. Já no médio e longo prazo, a depender do clima e da performance das usinas, pode haver mudança na estrutura produtiva.”

Clima volta ao centro das atenções

Outro fator que começa a ganhar relevância é o comportamento climático, com atenção voltada ao possível retorno do fenômeno El Niño e seus impactos sobre as principais regiões produtoras.

Segundo Silvestre, o cenário climático já começa a influenciar o mercado, mesmo antes da consolidação do fenômeno. “O El Niño vai chegar com mais força entre agosto e setembro, e pode impactar Índia e Tailândia”, afirma.


No Brasil, porém, os efeitos já são sentidos de forma imediata. Chuvas acima do normal durante o período de colheita têm provocado interrupções na moagem.

Dados da Unica mostram que a moagem de cana no Centro-Sul somou 41,55 milhões de toneladas na segunda quinzena de maio, queda de 13,08% em relação ao ano anterior. A produção de açúcar recuou ainda mais, com queda de 25,62% no período.

As chuvas também afetam a logística e a operação das usinas, elevando custos e reduzindo o ritmo de produção.

Índia e Tailândia seguem no radar do médio prazo

Além do Brasil, o mercado também observa o comportamento de grandes produtores como Índia e Tailândia, que historicamente alternam períodos de restrição e expansão de oferta.

Para o analista, esses países enfrentam desafios estruturais de competitividade. “Tailândia e Índia têm custos acima de R$ 1.700, enquanto o Brasil está entre R$ 1.400 e R$ 1.500”, destaca.

Essa diferença reforça a liderança brasileira no mercado global, mas também abre espaço para intervenções governamentais em outros países, como políticas de controle de exportações ou estímulo ao consumo interno.

Mercado futuro e atenção às próximas telas

Com o cenário ainda instável, o mercado volta suas atenções para os vencimentos futuros, especialmente as telas de fim de ano e início de 2027, onde há maior sensibilidade a mudanças de fundamentos.

“Essas telas de carrego são onde tudo pode acontecer. O mercado pode disparar ou se acomodar”, afirma Silvestre.

Ele ressalta ainda a importância da posição de março, tradicionalmente mais sensível ao equilíbrio entre safra brasileira e início da produção asiática.

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Por:
Andréia Marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

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