Açúcar fecha em queda pressionado pelo petróleo e com foco no clima e na safra brasileira
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As cotações do açúcar encerraram o pregão desta segunda-feira (22) em queda nas bolsas internacionais, pressionadas principalmente pela desvalorização do petróleo e pelo impacto desse movimento sobre o mercado de etanol.
Em Nova York, o contrato julho recuou 24 pontos e fechou a 13,35 cents por libra-peso. Em Londres, o açúcar branco também caiu: o contrato agosto do ICE registrou baixa de 400 pontos, encerrando o dia a US$ 440,40 por tonelada.
A queda no petróleo, que chegou a cerca de 2% na sessão, enfraqueceu os preços do etanol e aumentou a expectativa de que usinas em diversas regiões produtoras do mundo possam direcionar uma parcela maior da cana para a fabricação de açúcar. Esse movimento tende a elevar a oferta global do adoçante e pressionar as cotações no curto prazo.
Outro fator negativo veio do cenário logístico internacional. A reabertura do Estreito de Ormuz é vista pelo mercado como potencialmente baixista, ao reduzir custos de frete marítimo, seguros e combustíveis, o que diminui o custo de importação do açúcar.
Na semana passada, no entanto, o mercado chegou a registrar alta, com os preços atingindo o maior nível em uma semana, sustentados por preocupações com a safra da Índia. Dados do Departamento Meteorológico indiano indicam que o acumulado de chuvas de monção estava 43% abaixo do normal até 22 de junho, em um período considerado decisivo para o desenvolvimento da cana no país.
O clima segue como fator de suporte às cotações. A confirmação da formação de um padrão de El Niño pelo Agência Meteorológica do Japão reforça o risco de redução de chuvas em grandes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia. A NOAA, dos Estados Unidos, estima probabilidade de 67% de ocorrência de um “Super El Niño”, o que intensifica a preocupação com a oferta global.
Safra brasileira
No Brasil, maior produtor e exportador mundial de açúcar, a safra 2026/27 deve ser a segunda maior da história, com crescimento estimado de 5,3% em relação ao ciclo anterior, superando 700 milhões de toneladas, segundo a Conab.
No Centro-Sul, a produção de etanol avançou 31,55% no acumulado dos dois primeiros meses da safra, somando 7,5 bilhões de litros, refletindo maior direcionamento da cana para o biocombustível e o avanço do etanol de milho, que atingiu 1,57 bilhão de litros no período (+8,63%).
A alocação de cana para etanol também aumentou, passando de 49,9% na safra anterior para 58,58% no início do atual ciclo, reduzindo a fatia destinada ao açúcar.
Apesar do avanço da produção, as vendas de etanol pelas usinas do Centro-Sul somaram 5,66 bilhões de litros em abril e maio, queda de 2,1% em relação ao ano anterior. Ainda assim, a UNICA destacou melhora recente, com aumento de 10% nas vendas por dia útil na segunda quinzena de maio.
Segundo o setor, levantamentos da ANP indicam que o etanol manteve vantagem de preço em relação à gasolina em diversos estados produtores, sustentando a competitividade do biocombustível no mercado interno.
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