Açúcar cai para mínimas de semanas com mercado focado no aumento da oferta

Publicado em 10/06/2026 16:03
Desvalorização do real favorece exportações brasileiras e reforça movimento baixista; produção elevada no Centro-Sul e avanço das exportações da Tailândia seguem no radar do mercado

Os preços do açúcar fecharam em baixa nesta quarta-feira (10) nas principais bolsas internacionais. Em Nova York, os contratos atingiram o menor nível em seis semanas, enquanto em Londres as cotações recuaram para a mínima de uma semana e meia, pressionadas pela desvalorização do real brasileiro e pelo cenário de ampla oferta global.

Em Nova York, o contrato julho encerrou o pregão cotado a 14,39 cents por libra-peso, com queda de 16 pontos.

Em Londres, o contrato agosto do açúcar branco fechou a US$ 443,90 por tonelada, recuo de 110 pontos.

Real mais fraco favorece exportações

Um dos principais fatores de pressão sobre o mercado foi a desvalorização do real frente ao dólar. A moeda brasileira caiu para o menor nível em cerca de dois meses e meio, aumentando a competitividade das exportações do Brasil e incentivando as vendas externas por parte das usinas.

Por outro lado, as perdas foram parcialmente limitadas pela alta do petróleo. O contrato WTI avançou mais de 3% no pregão, fortalecendo a competitividade do etanol. Com combustíveis mais valorizados, aumenta a possibilidade de as usinas direcionarem uma parcela maior da cana para a produção de biocombustíveis, reduzindo a disponibilidade de açúcar.

Oferta global continua pesando sobre as cotações

Apesar do suporte vindo do petróleo, os fundamentos de oferta seguem predominando no mercado.

Dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) mostram que a produção de açúcar do Centro-Sul do Brasil alcançou 2,475 milhões de toneladas em abril da safra 2026/27, volume 55,3% superior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.

O avanço foi impulsionado pela melhora na qualidade da matéria-prima. O teor de sacarose atingiu 112,58 quilos por tonelada de cana, alta de 5,4% na comparação anual.

Outro fator baixista vem da Tailândia. As exportações do segundo maior exportador mundial de açúcar somaram 1,6 milhão de toneladas entre janeiro e abril, crescimento de 29% em relação ao mesmo período do ano passado.

Mercado físico segue com baixa movimentação

No mercado brasileiro, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) continua observando negociações lentas para o açúcar cristal.

Segundo os pesquisadores, a oferta abundante no início da safra mantém os preços enfraquecidos e limita movimentos de recuperação.

Na última sexta-feira (5), o Indicador Cepea/Esalq do açúcar cristal fechou em R$ 93,24 por saca, praticamente estável em relação à semana anterior.
 

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Por:
Andréia Marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

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