Açúcar opera próximo das mínimas da semana com foco na oferta mundial
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Os preços do açúcar voltaram a registrar queda nas principais bolsas internacionais nesta quarta-feira (10), refletindo a combinação de ampla oferta global e fraqueza do mercado de energia.
Por volta das 10h30 (horário de Brasília), o contrato julho do açúcar bruto em Nova York era negociado a 14,01 cents por libra-peso, recuo de 7 pontos. O vencimento outubro caía 8 pontos, para 14,44 cents por libra-peso.
Em Londres, os contratos do açúcar branco também operavam em baixa. O contrato agosto era negociado a US$ 442,70 por tonelada, enquanto o vencimento outubro recuava para US$ 437,20 por tonelada, queda de 210 pontos.
As cotações seguem próximas dos menores níveis da última semana. O mercado continua repercutindo a recente queda do petróleo bruto, que reduz a competitividade do etanol e pode estimular usinas a destinarem uma parcela maior da cana para a produção de açúcar, ampliando a oferta global da commodity.
Mercado segue focado na ampla disponibilidade de açúcar
Além da influência do petróleo, os fundamentos de oferta permanecem no centro das atenções dos investidores.
Dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) mostram que a produção de açúcar do Centro-Sul do Brasil atingiu 2,475 milhões de toneladas em abril da safra 2026/27, avanço de 55,3% em relação ao mesmo período do ciclo anterior. O resultado foi impulsionado pelo aumento da qualidade da matéria-prima, com o teor de sacarose alcançando 112,58 quilos por tonelada de cana, alta de 5,4% na comparação anual.
Outro fator de pressão vem da Tailândia. As exportações do segundo maior exportador mundial de açúcar somaram 1,6 milhão de toneladas entre janeiro e abril, volume 29% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.
No mercado físico brasileiro, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) também aponta baixa movimentação nas negociações de açúcar cristal. Segundo os pesquisadores, a oferta abundante continua limitando a recuperação dos preços.
Na última sexta-feira (5), o Indicador Cepea/Esalq do açúcar cristal fechou em R$ 93,24 por saca, praticamente estável em relação à semana anterior.
El Niño continua no radar
Apesar da pressão exercida pela oferta, o mercado segue monitorando os riscos climáticos para a próxima safra.
O possível desenvolvimento do fenômeno El Niño mantém a atenção voltada para Brasil, Índia e Tailândia, três dos principais produtores globais da commodity. Na Índia, o serviço meteorológico reduziu recentemente a previsão de chuvas para a temporada de monções entre junho e setembro, de 92% para 90% da média histórica.
A menor expectativa de precipitações aumenta as preocupações com o potencial produtivo do segundo maior produtor mundial de açúcar e segue oferecendo suporte às cotações, embora ainda insuficiente para reverter o peso da oferta abundante observada no mercado global.
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