Açúcar despenca pressionado por petróleo e oferta global
Os preços do açúcar encerraram a terça-feira (9) em queda nas principais bolsas internacionais, pressionados pela fraqueza do petróleo e pela perspectiva de ampla oferta global da commodity.
Na bolsa de Nova York, o contrato julho do açúcar bruto fechou cotado a 14,08 cents por libra-peso, recuo de 4 pontos. Em Londres, o contrato agosto do açúcar branco encerrou o dia a US$ 445,00 por tonelada, queda de 10 pontos.
As cotações chegaram aos menores níveis em uma semana durante o pregão. O principal fator de pressão veio do mercado de energia. O petróleo bruto recuou mais de 3% e atingiu a mínima de sete semanas, reduzindo a competitividade do etanol frente ao açúcar.
Com preços mais baixos para os combustíveis, aumenta a possibilidade de usinas destinarem uma parcela maior da cana para a produção de açúcar, ampliando a oferta global da commodity.
Oferta global domina o mercado
Além da influência do petróleo, os fundamentos de oferta seguem pesando sobre as cotações.
Dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) mostram que a produção de açúcar do Centro-Sul do Brasil alcançou 2,475 milhões de toneladas em abril da safra 2026/27, crescimento de 55,3% em relação ao mesmo período do ciclo anterior. O avanço foi favorecido pela melhora da qualidade da matéria-prima, com o teor de sacarose atingindo 112,58 quilos por tonelada de cana, alta de 5,4% na comparação anual.
A Tailândia também contribui para o cenário de maior disponibilidade. As exportações do país somaram 1,6 milhão de toneladas entre janeiro e abril, volume 29% superior ao registrado no mesmo período de 2025.
No mercado físico brasileiro, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) observa baixa movimentação nas negociações de açúcar cristal neste início de junho. Segundo os pesquisadores, a oferta abundante continua enfraquecendo os preços.
Na última sexta-feira (5), o Indicador Cepea/Esalq do açúcar cristal registrou R$ 93,24 por saca, praticamente estável em relação à semana anterior.
El Niño
Apesar do viés baixista, as preocupações climáticas continuam oferecendo suporte ao mercado.
O possível desenvolvimento do fenômeno El Niño mantém investidores atentos aos impactos sobre Brasil, Índia e Tailândia, três dos principais produtores mundiais de açúcar.
Na Índia, o serviço meteorológico reduziu recentemente a previsão de chuvas para a temporada de monções entre junho e setembro, de 92% para 90% da média histórica. O cenário aumenta as preocupações sobre o potencial produtivo do segundo maior produtor mundial da commodity.
0 comentário
Açúcar despenca pressionado por petróleo e oferta global
Brasil e Índia apostam no etanol e impulsionam debate sobre combustíveis
Canaoeste recebe prêmio internacional por ações alinhadas aos ODS
Setor sucroenergético enfrenta aperto com ATR baixo e custos em alta, mas expectativa é de recuperação dos preços
Açúcar segue em queda com pressão da oferta global
Etanol/Cepea: Preço do hidratado cai pela 2ª semana consecutiva