Açúcar segue em queda com pressão da oferta global
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Os preços do açúcar operam em queda nas bolsas internacionais nesta terça-feira (9), refletindo o cenário de ampla oferta global e a pressão exercida pelo avanço da produção nos principais países exportadores.
Por volta das 8h30 (horário de Brasília), o contrato julho do açúcar bruto em Nova York era negociado a 14,06 cents de dólar por libra-peso, com recuo de 6 pontos. O vencimento outubro caía 9 pontos, para 14,52 cents por libra-peso.
Em Londres, os contratos do açúcar branco também registravam perdas. O vencimento agosto era negociado a US$ 440,60 por tonelada, queda de 4,50 dólares. Já o contrato outubro recuava 4,20 dólares, cotado a US$ 436,00 por tonelada.
Os investidores seguem acompanhando fundamentos considerados baixistas para o mercado. Dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) mostram que a produção de açúcar do Centro-Sul do Brasil alcançou 2,475 milhões de toneladas em abril da safra 2026/27, volume 55,3% superior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.
O avanço foi impulsionado pela melhora da qualidade da matéria-prima. O teor de sacarose atingiu 112,58 quilos por tonelada de cana, alta de 5,4% na comparação anual, favorecendo a fabricação do adoçante.
Além do Brasil, o mercado acompanha o crescimento das exportações da Tailândia. Entre janeiro e abril deste ano, o país embarcou 1,6 milhão de toneladas de açúcar, aumento de 29% em relação ao mesmo período de 2025, reforçando a percepção de oferta confortável no mercado internacional.
Outro fator que contribuiu para a pressão sobre as cotações foi a recente queda dos preços do petróleo. Com combustíveis fósseis mais baratos, o etanol perde competitividade, o que pode incentivar usinas a direcionarem uma parcela maior da cana para a produção de açúcar, ampliando a disponibilidade da commodity.
El Niño segue no radar
Apesar do viés baixista, o mercado encontra suporte nas preocupações climáticas para a próxima safra global.
Na Índia, o serviço meteorológico reduziu sua previsão de chuvas para a temporada de monções entre junho e setembro. A estimativa passou de 92% para 90% da média histórica, aumentando as incertezas sobre a produção do segundo maior produtor mundial de açúcar.
Também seguem no radar os possíveis impactos do El Niño sobre Brasil e Tailândia, dois dos principais fornecedores globais da commodity. O temor é que períodos de seca reduzam a produtividade das lavouras e afetem a oferta nos próximos meses.
Segundo a NOAA, agência meteorológica dos Estados Unidos, há 82% de probabilidade de formação do El Niño entre maio e julho. A entidade também aponta 67% de chance de ocorrência de um evento de forte intensidade, conhecido como "Super El Niño".
Dessa forma, o mercado segue dividido entre a ampla disponibilidade de açúcar no curto prazo e os riscos climáticos que podem comprometer a produção global na próxima temporada, limitando movimentos mais intensos de baixa nas cotações.
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