Açúcar avança em Nova York com apoio do El Niño, mas oferta global limita ganhos do mercado
Os preços do açúcar operavam em alta na bolsa de Nova York na manhã desta sexta-feira (5), sustentados pelas preocupações do mercado com os possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre a produção global da commodity. Em Londres, porém, as cotações registravam leves perdas.
Por volta das 8h30 (horário de Brasília), o contrato julho do açúcar bruto era negociado a 14,39 cents por libra-peso, alta de 12 pontos. O vencimento outubro também avançava 12 pontos, cotado a 14,85 cents por libra-peso.
Na bolsa de Londres, o açúcar branco seguia em direção oposta. O contrato agosto recuava 170 pontos, para US$ 447,50 por tonelada, enquanto o vencimento outubro registrava queda de 40 pontos, negociado a US$ 442,30 por tonelada.
O mercado continua dividido entre os riscos climáticos e a perspectiva de ampla oferta global. Na véspera, as cotações chegaram a sentir pressão após uma queda de aproximadamente 3% nos preços do petróleo bruto. O movimento reduz a competitividade do etanol e pode incentivar usinas a destinarem uma parcela maior da cana para a produção de açúcar, ampliando a oferta da commodity no mercado internacional.
Além disso, os fundamentos de oferta seguem pesando sobre os preços. Dados divulgados pela Unica mostraram que a produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil alcançou 2,475 milhões de toneladas em abril da safra 2026/27, volume 55,3% superior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior. O avanço foi favorecido pelo aumento da qualidade da matéria-prima, com o teor de sacarose atingindo 112,58 quilos por tonelada de cana, alta de 5,4% na comparação anual.
Pressão da Tailândia
Outro fator de pressão vem da Tailândia. As exportações do segundo maior exportador mundial de açúcar cresceram 29% entre janeiro e abril de 2026, alcançando 1,6 milhão de toneladas e reforçando a percepção de abastecimento confortável no mercado global.
Apesar disso, os investidores seguem atentos ao desenvolvimento do El Niño. O fenômeno pode reduzir o volume de chuvas em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia, comprometendo o potencial produtivo das próximas safras.
As preocupações ganharam força após o serviço meteorológico da Índia revisar para baixo sua previsão de chuvas para a temporada de monções entre junho e setembro, reduzindo a estimativa de 92% para 90% da média histórica. A mudança aumenta as incertezas sobre a produção do segundo maior produtor mundial de açúcar.
Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), existe 82% de probabilidade de formação do El Niño entre maio e julho, com possibilidade de permanência do fenômeno até o final do ano. A agência também aponta 67% de chance de ocorrência de um evento de forte intensidade, o chamado "Super El Niño".
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