Açúcar cai nas bolsas internacionais após OIA aumentar projeção de oferta
![]()
As cotações do açúcar encerraram a sessão desta segunda-feira (18) em queda nas principais bolsas internacionais, após a Organização Internacional do Açúcar elevar sua projeção de superávit global para a safra 2025/26 e estimar uma produção mundial recorde da commodity, cenário que reforçou a percepção de maior oferta no mercado internacional.
Em Nova Iorque, o contrato julho do açúcar bruto fechou negociado a 14,73 cents por libra-peso, com recuo de 7 pontos. Já em Londres, o contrato agosto do açúcar branco terminou o dia cotado a US$ 436,50 por tonelada, queda de 200 pontos.
Os preços chegaram às mínimas de uma semana ao longo do pregão após a OIA elevar sua estimativa de excedente global de açúcar para a temporada 2025/26 para 2,2 milhões de toneladas, acima da projeção anterior, divulgada em fevereiro, de 1,22 milhão de toneladas.
Safra global recorde pressiona mercado
Segundo a entidade, a produção mundial de açúcar deverá atingir recorde de 182 milhões de toneladas em 2025/26, avanço de 3,5% em relação ao ciclo anterior. O cenário representa uma recuperação importante frente ao déficit estimado em 3,46 milhões de toneladas na safra 2024/25.
A perspectiva de maior disponibilidade global pressionou os contratos futuros ao longo do dia, especialmente diante do avanço da safra brasileira e do ambiente de oferta mais confortável no curto prazo.
Déficit global em 2026/27 limita perdas
Apesar da pressão baixista, as perdas foram parcialmente limitadas pelas projeções da própria OIA para a safra 2026/27.
A organização estima que a produção global recue para 180 milhões de toneladas no próximo ciclo, queda de 1,1% na comparação anual.
Com isso, o mercado poderá registrar déficit global de aproximadamente 262 mil toneladas.
Segundo a OIA, o risco climático envolvendo um possível fortalecimento do fenômeno El Niño pode afetar as lavouras da Índia e da Tailândia, dois dos principais produtores mundiais da commodity.
“A perspectiva para os preços nos próximos três meses é neutra, pois o superávit de 2025/26 é modesto”, avaliou a entidade em relatório.
Biocombustíveis seguem no radar
O mercado também segue atento ao setor de biocombustíveis, especialmente diante da alta recente do petróleo em meio às tensões geopolíticas no Golfo Pérsico.
A OIA projeta que a produção global de etanol aumente de 123,1 bilhões para 129,4 bilhões de litros em 2026, impulsionada principalmente pela recuperação da produção brasileira e pela expansão do biocombustível na Índia.
Segundo a entidade, o aumento dos preços do petróleo tem incentivado programas de mistura de etanol à gasolina em diversos países. O Brasil, por exemplo, discute ampliação da mistura para E32, enquanto Índia e União Europeia avaliam avanços para E25 e E20, respectivamente.
Mercado segue monitorando Índia e déficit global
Além das projeções da OIA, o mercado continua acompanhando a decisão da Índia de proibir exportações de açúcar até 30 de setembro para proteger o abastecimento interno.
As estimativas de déficit global também seguem dando sustentação estrutural às cotações. A consultoria Datagro elevou recentemente sua projeção de déficit global de açúcar para 3,17 milhões de toneladas na safra 2026/27, ante estimativa anterior de 2,26 milhões.
Já a StoneX projeta saldo negativo de aproximadamente 550 mil toneladas no próximo ciclo, revertendo o superávit estimado em 2,3 milhões de toneladas na temporada 2025/26.
0 comentário
Inmet prevê declínio das temperaturas e possibilidade de geada no Sul neste fim de semana
Açúcar sobe mais de 6% na semana em NY com preocupação sobre oferta global
Safra maior de cana amplia oferta de etanol e pressiona preços
Açúcar ganha força em Nova Iorque com déficit global maior, diz Itaú BBA
Açúcar fecha misto nas bolsas, mas mantém patamares elevados com oferta global no radar
Índia autoriza importação de 1 milhão de toneladas de açúcar e mercado mira impacto sobre preços