Dólar forte pesa sobre açúcar, que encerra semana em baixa em NY e Londres
A semana terminou com os preços do açúcar em queda nas principais bolsas internacionais. Os contratos futuros recuaram nesta sexta-feira (15), pressionados pela valorização do dólar frente ao real.
Na bolsa de Nova Iorque, o contrato julho do açúcar fechou com queda de 1,27%, negociado a 14,80 cents por libra-peso, recuo de 19 pontos.
Em Londres, o contrato agosto do açúcar branco encerrou o pregão cotado a US$ 438,50 por tonelada, baixa de 0,99%, equivalente a 440 pontos.
O mercado ampliou as perdas pelo segundo pregão consecutivo, refletindo principalmente a desvalorização da moeda brasileira. O real atingiu a mínima em cinco semanas frente ao dólar, favorecendo a competitividade do açúcar brasileiro no mercado externo e incentivando vendas para exportação.
Apesar da pressão baixista desta sexta-feira, o mercado segue sustentado por fundamentos ligados à oferta global.
Índia reforça preocupação com oferta
Um dos principais fatores monitorados pelos investidores continua sendo a decisão da Índia de proibir as exportações de açúcar até 30 de setembro de 2026, ou até nova determinação do governo.
A medida foi anunciada pela Diretoria Geral de Comércio Exterior do Ministério do Comércio e Indústria do país e vale para açúcar bruto, branco e refinado. As exceções ficam para os embarques destinados à União Europeia e aos Estados Unidos dentro das cotas tarifárias já existentes.
A restrição aumentou as preocupações do mercado em relação à disponibilidade global da commodity, especialmente diante dos riscos climáticos envolvendo importantes produtores asiáticos.
Déficit global segue no radar
Além da Índia, o mercado também continua repercutindo as projeções de déficit global para a safra 2026/27.
Nesta semana, a StoneX estimou saldo negativo de aproximadamente 550 mil toneladas no próximo ciclo, revertendo o superávit de 2,3 milhões de toneladas observado na temporada 2025/26.
Já a Datagro elevou sua projeção de déficit global para 3,17 milhões de toneladas, ante estimativa anterior de 2,26 milhões de toneladas.
Na quarta-feira (13), esses fatores chegaram a impulsionar as cotações para os maiores níveis em cerca de uma semana e meia. Porém, o movimento perdeu força nos últimos pregões diante da pressão cambial.
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