Açúcar amplia perdas nesta sexta-feira com dólar acima de R$ 5,00 e tensão no Oriente Médio

Publicado em 15/05/2026 09:25
Mercado acompanha avanço da moeda norte-americana, volatilidade do petróleo e restrições às exportações da Índia

As cotações do açúcar voltaram a operar em queda nesta sexta-feira (15) nas principais bolsas internacionais. Em Nova Iorque e Londres, os contratos futuros ampliaram o movimento baixista observado na véspera, pressionados principalmente pela valorização do dólar e pela volatilidade do petróleo em meio às tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Em Nova Iorque, o contrato julho do açúcar bruto recuava 8 pontos por volta das 9h (horário de Brasília), negociado a 14,91 cents de dólar por libra-peso. O vencimento outubro caía 11 pontos, cotado a 15,38 cents por libra-peso.

Na bolsa de Londres, o contrato agosto do açúcar branco registrava queda de 210 pontos, negociado a US$ 440,80 por tonelada. O contrato outubro recuava 150 pontos, vendido a US$ 441,00 por tonelada.

Na quinta-feira (14), o mercado já havia encerrado em forte baixa. Em Nova Iorque, o contrato julho caiu 2,54%, enquanto em Londres o contrato agosto recuou 2,74%.

Dólar forte segue pressionando commodities

O fortalecimento do dólar continua sendo um dos principais fatores de pressão sobre o mercado do açúcar.

A moeda norte-americana abriu esta sexta-feira cotada a R$ 5,03 e acumula valorização de cerca de 2% na semana. O avanço do dólar tende a pressionar as commodities negociadas na divisa americana, reduzindo a competitividade das compras internacionais e favorecendo movimentos de realização de lucros nos mercados futuros.

Além disso, o câmbio mais forte aumenta a atratividade das exportações brasileiras, ampliando a percepção de maior oferta global da commodity.

No mercado doméstico, investidores também seguem monitorando o ambiente político e o cenário das eleições presidenciais, que permanecem no radar dos agentes econômicos.

Petróleo continua no radar do setor sucroenergético

O mercado também segue atento à volatilidade do petróleo, que continua influenciando diretamente o setor sucroenergético.

Os preços da energia voltaram a subir diante da escalada das tensões no Oriente Médio, especialmente após novos ataques registrados no Estreito de Hormuz, rota estratégica por onde passavam cerca de 20% do fornecimento diário mundial de petróleo antes do conflito entre Estados Unidos e Irã.

As cotações da energia seguem sensíveis às negociações envolvendo a região, principalmente diante das incertezas sobre um possível acordo de paz.

O comportamento do petróleo impacta diretamente o mercado de etanol e o mix de produção das usinas brasileiras entre açúcar e biocombustível. Quando os preços da energia avançam, cresce a competitividade do etanol, favorecendo maior direcionamento da cana para a produção do biocombustível.

Índia restringe exportações

Outro fator acompanhado pelo mercado é a decisão da Índia de proibir exportações de açúcar até 30 de setembro de 2026, ou até nova determinação do governo.

A medida, anunciada pela Diretoria Geral de Comércio Exterior do Ministério do Comércio e Indústria do país, vale para açúcar bruto, branco e refinado.

A restrição não se aplica às exportações destinadas à União Europeia e aos Estados Unidos dentro das cotas tarifárias já existentes.

Mesmo com a pressão baixista desta sexta-feira, a decisão da Índia continua dando sustentação estrutural ao mercado, já que reforça as preocupações com a disponibilidade global da commodity, especialmente diante dos riscos climáticos envolvendo importantes produtores asiáticos.

O mercado também segue monitorando as projeções de déficit global para a safra 2026/27, após a StoneX estimar saldo negativo de aproximadamente 550 mil toneladas no próximo ciclo.
 

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Por:
Andréia Marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

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