Açúcar fecha com queda acima de 2,5% pressionado pela alta do dólar e realização de lucros
As cotações do açúcar fecharam em forte queda nesta quinta-feira (14) nas bolsas internacionais de Nova Iorque e Londres. O mercado foi pressionado principalmente pela valorização do dólar e pela volatilidade provocada pelas tensões geopolíticas envolvendo o Oriente Médio.
Em Nova Iorque, o contrato julho do açúcar bruto encerrou o pregão cotado a 14,99 cents de dólar por libra-peso, com recuo de 39 pontos, queda de 2,54%.
Na bolsa de Londres, o contrato agosto do açúcar branco fechou negociado a US$ 442,90 por tonelada, baixa de US$ 12,50, ou 2,74%.
Alta do dólar pressiona mercado
O principal fator de pressão sobre as commodities nesta quinta-feira foi a disparada do dólar no mercado internacional.
A moeda norte-americana voltou a superar o patamar de R$ 5,00 no Brasil, encerrando o dia em alta de 2,31%, cotada a R$ 5,0086, maior valor de fechamento desde 10 de abril.
O fortalecimento do dólar tende a pressionar os preços do açúcar nas bolsas internacionais, já que a commodity é negociada em moeda americana. Além disso, a valorização cambial aumenta a competitividade das exportações brasileiras, fator que pode estimular maior oferta global da commodity.
Mercado realiza lucros após sequência de altas
O movimento desta quinta-feira também refletiu realização de lucros depois da forte recuperação observada nos últimos pregões.
Nesta semana, o açúcar chegou aos maiores níveis em cerca de uma semana, sustentado pelas preocupações com um possível déficit global na safra 2026/27.
O mercado vinha encontrando suporte após a StoneX projetar déficit global de aproximadamente 550 mil toneladas no próximo ciclo, revertendo os superávits registrados nas últimas temporadas.
Além disso, os temores relacionados ao fenômeno El Niño e à possibilidade de maior direcionamento da cana-de-açúcar para a produção de etanol no Brasil também vinham sustentando as cotações.
Com a forte valorização recente, investidores aproveitaram o cenário para ajustar posições, pressionando os contratos futuros.
Petróleo segue influenciando setor sucroenergético
O mercado também continuou atento à volatilidade do petróleo, que segue impactando diretamente o setor sucroenergético.
As cotações da energia permanecem sensíveis às negociações envolvendo o Oriente Médio, principalmente diante das incertezas sobre um possível acordo de paz na região.
Além disso, investidores monitoram possíveis avanços nas relações comerciais entre Estados Unidos e China após novas sinalizações diplomáticas envolvendo Donald Trump.
O comportamento do petróleo influencia diretamente o mercado de etanol e, consequentemente, o mix de produção das usinas brasileiras entre açúcar e biocombustível.
Índia endurece restrições às exportações
Outro fator acompanhado pelo mercado foi a decisão da Índia de proibir exportações de açúcar até 30 de setembro, ou até nova determinação do governo.
Segundo comunicado divulgado pela Diretoria Geral de Comércio Exterior do Ministério do Comércio e Indústria do país, a medida passa a valer para açúcar bruto, branco e refinado.
A restrição, porém, não se aplica às exportações destinadas à União Europeia e aos Estados Unidos dentro das cotas tarifárias já existentes.
A decisão reforça as preocupações do mercado em relação ao abastecimento global da commodity, especialmente diante das incertezas climáticas envolvendo importantes produtores asiáticos.
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