Açúcar sobe nas bolsas com disparada do petróleo e temor sobre oferta global

Publicado em 11/05/2026 16:25 e atualizado em 11/05/2026 17:34
Mercado reage à alta de combustíveis, possível avanço do El Niño e projeções menores para produção brasileira na safra 2026/27

Os preços do açúcar fecharam em alta nas bolsas internacionais nesta segunda-feira (11), sustentados pela forte valorização do petróleo e pelas preocupações crescentes em relação à oferta global da commodity.

Em Nova York, o contrato julho do açúcar bruto encerrou o pregão cotado a 14,91 cents de dólar por libra-peso, com avanço de 22 pontos.

Na bolsa de Londres, o contrato agosto também registrou valorização e fechou negociado a US$ 437,30 por tonelada, avanço de 530 pontos.

Petróleo dispara com tensão no Oriente Médio

O mercado do açúcar encontrou suporte na forte alta do petróleo, impulsionada pela escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Os preços da commodity energética avançaram após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que rejeitou a resposta do Irã à proposta de paz apresentada por Washington. O mercado também reagiu às novas ameaças iranianas envolvendo o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do comércio global de petróleo.

O petróleo Brent, referência internacional e parâmetro para a Petrobras, avançava 4,13%, negociado a US$ 105,47 por barril. Já o WTI subia 4,52%, cotado a US$ 99,73 por barril.

Com a alta dos combustíveis, cresce a expectativa de maior direcionamento da cana-de-açúcar para a produção de etanol no Brasil, reduzindo potencialmente a oferta de açúcar no mercado internacional.

Citigroup projeta menor produção brasileira

As preocupações com a oferta ganharam força após o Citigroup reduzir sua estimativa para a produção brasileira de açúcar na safra 2026/27.

Segundo o banco, o Brasil deverá produzir 39,5 milhões de toneladas, número significativamente abaixo da projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que estima produção de 43,95 milhões de toneladas.

A instituição financeira atribui a diferença à expectativa de maior destinação da cana para o etanol diante da valorização dos combustíveis.

Além disso, o Citigroup alertou que um possível fortalecimento do fenômeno El Niño ao longo deste ano pode afetar a produção de açúcar na Índia e na Tailândia nos próximos seis a 12 meses.

Mercado volátil

O relatório Agro Mensal de maio, divulgado pelo Itaú BBA, destaca que o mercado internacional do açúcar encerrou abril sob pressão, enquanto o etanol registrou forte queda no mercado doméstico com o avanço da safra 2026/27 no Centro-Sul.

Segundo o banco, os contratos do açúcar bruto em Nova York devolveram os ganhos observados em março e acumularam queda de 6% ao longo de abril.

O movimento foi influenciado pela percepção de oferta global mais confortável, aumento das posições vendidas dos fundos especulativos e incertezas em relação ao mix produtivo brasileiro.

O relatório aponta ainda que o bom desempenho das safras da China e da Tailândia compensou parcialmente as perdas registradas na Índia, reforçando a percepção de superávit global e limitando recuperações mais consistentes nos preços.

Clima segue no radar do mercado

O Itaú BBA também destacou que o mercado segue atento ao comportamento climático no Brasil diante da possibilidade de formação de um evento de El Niño no segundo semestre de 2026.

“As projeções apontam probabilidade elevada de consolidação do fenômeno ao longo do segundo semestre, o que adiciona incerteza ao andamento da colheita no Brasil. Embora a maior disponibilidade hídrica favoreça o desenvolvimento vegetativo dos canaviais, o excesso de chuvas pode impor restrições logísticas e industriais”, destacou o relatório.

Segundo o Itaú BBA, os riscos climáticos também podem afetar importantes produtores asiáticos, como Índia e Tailândia, mantendo o açúcar suscetível à volatilidade ao longo da safra.

“Nesse contexto, o Brasil permanece como origem-chave para o equilíbrio do mercado mundial, com o comportamento do mix produtivo e o desempenho climático ao longo do segundo semestre assumindo papel central na formação dos preços”, concluiu o banco.
 

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Por:
Andréia Marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

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