Açúcar fecha em alta após sequência de perdas nas bolsas internacionais
Os preços do açúcar encerraram esta sexta-feira (8) em alta nas bolsas internacionais de Nova York e Londres, reagindo principalmente à valorização do real frente ao dólar.
Em Nova York, o contrato julho do açúcar bruto fechou cotado a 14,69 cents de dólar por libra-peso, com avanço de 15 pontos.
Na bolsa de Londres, o contrato agosto também registrou valorização, encerrando o pregão a US$ 432,00 por tonelada, alta de 100 pontos.
Ao longo do dia, porém, as cotações chegaram a operar em queda, pressionadas pelas oscilações do petróleo e pelas preocupações envolvendo o mercado de etanol.
Valorização do real dá suporte às cotações
O movimento de recuperação ocorreu após a valorização da moeda brasileira. Nesta sexta-feira, o real avançou 0,56% frente ao dólar, permanecendo próximo da máxima de dois anos e três meses atingida na quarta-feira.
A valorização do câmbio tende a reduzir a competitividade das exportações brasileiras, fator que normalmente oferece suporte aos preços internacionais do açúcar.
Petróleo ainda influencia mercado
Na véspera, os preços do açúcar haviam caído para mínimas de uma semana diante da forte desvalorização dos combustíveis. Os preços da gasolina acumulam queda superior a 8% nas últimas três sessões, pressionando o mercado de etanol e influenciando diretamente o mix das usinas brasileiras.
Segundo análise da Covrig Analytics, a retração nos preços do etanol já vem incentivando unidades produtoras a destinarem mais cana-de-açúcar para a fabricação de açúcar.
Atualmente, o açúcar apresenta rentabilidade entre 0,7 e 1 centavo de dólar por quilo acima do etanol, favorecendo o mix açucareiro.
Mercado interno mantém baixa liquidez
No mercado interno, o açúcar cristal registrou baixa liquidez na última semana de abril, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
De acordo com os pesquisadores, compradores mantiveram postura cautelosa diante da expectativa de novas quedas nos preços. Ainda assim, as cotações permaneceram firmes, mesmo com o ritmo mais lento de negociações.
O Cepea destaca que a retração no volume negociado indica resistência por parte dos vendedores à pressão dos demandantes. Além disso, o predomínio de açúcares mais escuros nas negociações reforça a percepção de que a safra 2026/27 ainda não atingiu ritmo pleno, limitando a oferta de açúcar cristal de melhor qualidade no curto prazo.
Segundo o Centro de Pesquisas, caso o movimento de recuperação observado em Nova York continue, os preços internos também podem ganhar sustentação nas próximas semanas.
Pesquisadores do Cepea ressaltam ainda que movimentos de alta no petróleo e nos custos globais de energia tendem a favorecer a produção de etanol pelas usinas brasileiras, reduzindo a disponibilidade de açúcar no mercado.
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