Açúcar sobe nas bolsas, mas mercado ainda sente pressão da oferta global
Os preços do açúcar registraram leve alta nas bolsas internacionais nesta quarta-feira (22). Apesar da recuperação, o mercado segue pressionado há pelo menos três semanas, refletindo a expectativa de oferta global abundante.
Na bolsa de Nova Iorque, o contrato de maio avançou 15 pontos, sendo negociado a 13,58 cents por libra-peso. O vencimento de julho também registrou alta, cotado a 13,87 cents por libra-peso.
Em Londres, os ganhos foram mais expressivos. O contrato de agosto subiu 280 pontos, para US$ 424,80 por tonelada, enquanto o de outubro avançou 380 pontos, sendo negociado a US$ 423,30 por tonelada.
Oscilações recentes
Na terça-feira, os preços fecharam em direções opostas, com destaque para o mercado de Londres, que atingiu a maior cotação em uma semana. Ainda assim, o açúcar acumula perdas recentes, tendo atingido na última sexta-feira a mínima em cerca de cinco anos e meio em Nova Iorque, diante do cenário de excedente global e demanda enfraquecida.
Fatores de suporte
Alguns fatores, no entanto, têm oferecido suporte pontual às cotações.
A perspectiva de menor produção no Brasil é um deles. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos projeta que a produção brasileira de açúcar na safra 2026/27 alcance 42,5 milhões de toneladas, uma queda de 3% em relação ao ciclo anterior, em função do maior direcionamento da cana para a produção de etanol.
De acordo com a StoneX, o açúcar segue mais sensível aos fundamentos de oferta e demanda do que a fatores externos. “O mercado continua mais sensível ao seu próprio equilíbrio entre oferta e demanda do que a fatores externos”, afirmou a consultoria.
Outro elemento de sustentação é a revisão nas estimativas de excedente global. A Covrig Analytics reduziu sua projeção de superávit para 2026/27 de 1,4 milhão para 800 mil toneladas, indicando um mercado menos pressionado do que o previsto anteriormente.
Influência do petróleo
O avanço recente do petróleo também contribui para o movimento de alta. Na terça-feira, os preços da commodity subiram cerca de 2%, fator considerado positivo para o setor sucroenergético.
A relação é direta: com o petróleo mais caro, o etanol se torna mais competitivo frente aos combustíveis fósseis, incentivando as usinas a destinarem mais cana para o biocombustível. Esse movimento reduz a oferta de açúcar no mercado internacional e tende a dar sustentação aos preços.
0 comentário
Açúcar fecha em alta pelo quarto pregão seguido; Nova Iorque atinge maior nível em seis semanas
Entregas de açúcar bruto na ICE em julho totalizam 796.500 t, dizem operadores
CEO da Raízen diz que vendas de usinas vão continuar, mas sem pressa
Açúcar mantém alta nas bolsas com clima na Índia e oferta global no radar do mercado
Etanol/Cepea: Clima chuvoso restringe oferta e sustenta preços
Açúcar/Cepea: Liquidez segue baixa; preços se recuperam