Soja sustenta altas em Chicago nesta 5ª (27) e puxa negócios a R$ 161 no Porto de Paranaguá

Publicado em 27/08/2026 17:09 | Atualizado em 27/08/2026 17:45
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A semana vem sendo de boas notícias para o produtor brasileiro de soja. Pegando carona na sequência de altas na Bolsa de Chicago - que já se aproximam de 5% em um mês nos principais vencimentos, o mercado nacional registrou mais uma quinta-feira (27) de preços firmes, abrindo uma janela de comercialização altamente atrativa tanto para os volumes remanescentes quanto para a nova safra.

O grande destaque do dia ficou por conta do mercado físico nos portos. Em Paranaguá (PR), referência para a exportação nacional, foram reportados negócios no mercado spot batendo a marca de R$ 161,00 por saca. Esse patamar reforça o momento de liquidez e o forte apetite da demanda internacional pelo grão brasileiro. Afinal, além dos ganhos em Chicago, os prêmios para a soja disponível continuam elevados e contribuindo para a manutenção dos valores registrando os maiores valores em três anos. 

E a precificação fortalecida não se restringe apenas ao curtíssimo prazo. Os indicadores para a safra nova também vêm acompanhando essa curva ascendente. O cenário tem encorajado os produtores a travarem seus custos e garantirem margens antecipadas, aproveitando a combinação favorável entre as cotações internacionais valorizadas e os prêmios nos portos brasileiros. Nos portos, a soja da safra nova mira forte a busca pelos R$ 150,00 por saca e não está muito longe disso. 

Ainda nesta quinta-feira, mais um fator positivo para as cotações no mercado nacional foi o dólar. A moeda americana terminou o dia com alta de 0,2% e batendo nos R$ 5,16.

Para o produtor brasileiro, a equação atual — Chicago em alta somada a um câmbio competitivo — traduz-se diretamente em rentabilidade na ponta final. A recomendação de analistas, no entanto, é manter a atenção redobrada: momentos de forte volatilidade positiva como o atual são ideais para o escalonamento das vendas, garantindo o aproveitamento das máximas do mercado sem exposição excessiva aos riscos futuros.

CHICAGO SUSTENTA OS GANHOS

Todo esse otimismo nas praças brasileiras tem base forte nos ganhos em Chicago. A quinta-feira marcou mais um dia de ganhos consistentes para os futuros da oleaginosa, consolidando uma semana de forte recuperação técnica e avanço nos preços. O dia até começou com perdas e realização de lucros depois da disparada da sessão anterior, mas o mercado inverteu o sinal e fechou o pregão com pequenos ganhos de pouco mais de 2 pontos nos principais vencimentos. Assim, o contrato novembro fechou com US$ 12,68 e o março/27 com US$ 12,88 por bushel. 

A continuidade da escalada em Chicago encontra suporte em uma combinação de fatores técnicos e na percepção do mercado financeiro sobre a demanda global, que segue robusta. Com os fundos de investimento ajustando posições e o mercado monitorando de perto qualquer oscilação climática e logística nos principais polos produtores, a soja encontrou o fôlego necessário para romper resistências e se manter no território positivo.

Somado a este quadro, também nesta quinta-feira, o mercado da soja em grão encontrou suporte também nas altas do farelo e do óleo de soja, além do trigo, que engatou mais um pregão de ganhos de dois dígitos em Chicago pelas turbulência geopolítica assolando a região do Mar Negro. Rússia e Ucrânia seguem escalando as tensões e mantendo os prêmios de risco ativos no mercado de grãos. 

Reforçando a base de sustentação para os ganhos na Bolsa de Chicago, os números da vendas semanais para exportação norte-americanas trazidos pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) nesta quinta-feira também contribuíram para o otimismo. Na semana encerrada em 20 de agosto, as vendas de soja da nova safra foram de expressivos 2,478 milhões de toneladas, superando com o volume da semana anterior, de pouco mais de 1,7 milhão. 

O grande destaque, que animou os fundos de investimento e validou a percepção de demanda firme do mercado, foi o forte apetite da China, responsável por 1,101 milhão de toneladas desse total, seguida por "destinos desconhecidos", que levaram mais 1,046 milhão. 

Por outro lado, para a safra velha, que já se aproxima do fim do ciclo comercial, as vendas foram tímidas, registrando 73,9 mil toneladas, volume 40% abaixo da média das últimas quatro semanas, movimento já esperado pelo mercado.

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