Mapa da Soja: cerca de 83% das operações analisadas indicam o uso adequado do crédito rural para o cultivo financiado, mostra estudo inédito da Serasa Experian

Publicado em 25/08/2026 10:04

A Serasa Experian, primeira e maior datatech do Brasil, identificou que 82,6% das operações de crédito rural analisadas na safra de soja 2025/26 que captaram financiamento público apresentaram aderência entre a finalidade do financiamento e o cultivo encontrado nas áreas avaliadas. Na prática, o resultado indica que, na maior parte das operações monitoradas, a soja prevista na contratação do crédito foi efetivamente identificada nas áreas informadas para a operação. O índice representa um avanço de 6,6 pontos percentuais em relação à safra 2022/23, quando a aderência foi de 76%.

Feito com imagens de sensoriamento remoto, a partir de tecnologia proprietária da datatech, e intitulado “Mapa da Soja”, o estudo separou as operações de acordo com a diferença encontrada entre a área financiada e a presença da cultura identificada. Dessa forma, o número geral (82,6%) é a soma de 66,7% dos casos, em que não foi detectado possível desvio de finalidade, com outros 15,9%, em que foi registrada diferença de até 10% da área financiada – cenário que pode estar associado à própria escala do mapeamento e a imprecisão do limite informado nas glebas avaliadas, por isso, não representando necessariamente uma irregularidade.  

O levantamento também permitiu identificar as operações que merecem uma análise mais aprofundada e cautelosa. Em 17,4% dos casos, o possível desvio de finalidade superou 10% da área financiada. Dentro desse grupo, 10,6% das operações apresentaram divergências entre 10% e 50% da área contratada, 3,7% entre 50% e 90% e 3,1% entre 90% e 100%.

Entre os casos avaliados pelo estudo, houve, por exemplo, uma operação de custeio da soja em que nenhum hectare (ha) da cultura foi identificado nos 76,54 ha financiados, enquanto imagens de satélite apontaram a presença de outro cultivo. Em outra operação, dos 37 ha contratados para soja, a cultura foi identificada em apenas 10,42 ha, resultando em uma divergência de 71,8% da área financiada.

Possíveis desvios estão associados a R$ 2,2 bilhões em crédito concedido

A análise também dimensionou o volume financeiro associado às operações com maiores divergências. Os casos com possível desvio superior a 10% somam mais de R$ 2,2 bilhões em crédito concedido, aproximadamente 25% de todo o volume financeiro analisado no levantamento.

De acordo com o head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, é preciso reforçar que, na prática, os exemplos não significam, isoladamente, a comprovação do uso irregular dos recursos. No entanto, funcionam como sinais de atenção, capazes de direcionar as instituições financeiras para as operações em que uma checagem documental, contratual, cadastral ou agronômica mais detalhada pode ser necessária.

“Quando transformamos imagens de satélite e dados territoriais em indicadores objetivos, o monitoramento deixa de depender de uma análise amostral e evita altos custos com analistas para verificação de toda a carteira. A tecnologia ajuda a identificar onde estão as maiores divergências e permite que a instituição financeira concentre esforços justamente nas operações que demandam maior atenção. Isso é especialmente importante porque, quando há um possível desvio de finalidade, o banco pode estar exposto a uma operação diferente daquela originalmente analisada na concessão do crédito, com potenciais impactos regulatórios, financeiros e de risco. É uma forma de ganhar eficiência, ampliar a rastreabilidade e qualificar a gestão do crédito rural com baixo custo”, explica Marcelo Pimenta, head de Agro da Serasa Experian.

Quase 98% da soja foi plantada nos períodos recomendados para reduzir riscos climáticos

Além da análise sobre a finalidade do financiamento, o “Mapa da Soja” também avaliou quando o plantio ocorreu, ainda sobre a safra 2025/26, e qual era a exposição agroclimática das lavouras naquele momento. Nesse recorte, a Serasa Experian monitorou 1,53 milhão de talhões, que somam 46,9 milhões de hectares de soja, e identificou que 97,8% da área analisada foi plantada dentro dos períodos recomendados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC).

Do total, 84,9% da área estava enquadrada na faixa de risco agroclimático de 20%, 10,7% na faixa de 30% e 2,2% na de 40%. Outros 2,2% apresentaram divergência estimada entre a data de plantio identificada e a janela local parametrizada.

Esse tipo de monitoramento ganha ainda mais relevância no contexto regulatório atual do crédito em linha com as diretrizes do Manual de Crédito Rural (MCR) e com a Resolução CMN nº 5.267/2025. O uso de sensoriamento remoto e geotecnologias amplia a capacidade de acompanhar as condições do empreendimento financiado, incluindo aspectos como o período de plantio e a exposição agroclimática.

“O ZARC traz uma dimensão complementar importante para a análise porque permite entender não apenas se a soja foi plantada, mas em que momento isso ocorreu e sob qual nível de exposição agroclimática. As diferentes faixas de risco ajudam a contextualizar as condições enfrentadas pela lavoura e, quando combinadas a outros dados do ciclo produtivo, oferecem uma visão mais completa para acompanhar a operação e avaliar o risco ao longo da safra”, afirma Marcelo Pimenta.

Metodologia

O Mapa da Soja combina microdados públicos do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (SICOR) com mapas proprietários de cultivo da Serasa Experian. Para a análise de possível desvio de finalidade, foram consideradas operações de crédito destinadas ao custeio da soja na safra 2025/26 e verificada a presença da cultura no interior das glebas informadas nos financiamentos.

O processamento utilizou séries temporais de imagens multiespectrais dos satélites Sentinel-2, interpretação analítica e modelos automáticos de identificação de cultivo agrícola. A metodologia incluiu ainda o cruzamento das operações com o mapeamento da soja, a identificação das áreas com e sem presença da cultura, filtros relacionados à escala dos mapas, cálculo das divergências entre a área financiada e a cultivada e validação amostral por imagens de satélite.

O estudo trabalha com dois universos complementares. Na análise da finalidade do crédito rural, foram avaliadas 42.691 operações, correspondentes a 1,97 milhão de hectares financiados. Já no monitoramento territorial e agroclimático, foram analisados 1,53 milhão de talhões, que somam 46,9 milhões de hectares de soja.

Os indicadores produzidos por sensoriamento remoto funcionam como instrumentos de monitoramento, triagem e priorização e não constituem, isoladamente, comprovação de irregularidade. Eventuais conclusões sobre uma operação dependem de validações documentais, cadastrais, contratuais e agronômicas.

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Fonte:
Serasa Experian

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