China aumenta compras de soja dos EUA em meio a temor de safra menor e preços mais altos

USDA reporta venda de 1,43 milhão de toneladas nesta 6ª (21), com 712 mil t destinadas aos chineses
Publicado em 21/08/2026 14:17

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O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) informou uma forte venda de 1,432 milhão de toneladas de soja nesta sexta-feira (21), confirmando a intensidade da atual demanda pela oleaginosa norte-americana. Do total 712 mil toneladas foram para a China e 720 mil para destinos não revelados que, mais uma vez, o mercado especula ser a China. O volume é todo da safra 2026/27. 

"O relatório semanal divulgado nesta quinta mostrava 11,86 milhões de toneladas já comprometidas da safra 2026/27. Somando os anúncios posteriores, o book indicativo sobe para 13,58 milhões, o equivalente a cerca dwe 30% das 45,18 milhões de toneladas projetadas pelo USDA para exportação. E a China responde por 6,54 milhões de toneladas ou 48% do total", analisa a Agrinvest Commodities. 

O time de análises da consultoria afirma ainda que outras 870 mil toneladas classificadas como 'destinos desconhecidos' ainda poderiam ser reclassificadas ao longo do ano comercial. 

"Na posição oficial de 13 de agosto do USDA, o programa americano já estava acima das três safras anteriores, ficando atrás apenas de 2022/23. Os novos anúncios ampliam essa vantagem e confirmam a aceleração da demanda pela soja americana", traz a Agrinvest. 

Nesta semana, outros três anúncios já foram feitos, sendo 136 mil toneladas na terça-feira (18) e 150 mil para destinos não revelados na última quinta (20). 

FÔLEGO PARA OS AMERICANOS, ALERTA PARA OS CHINESES

Na Bolsa de Chicago, o impacto da nova notícia foi, todavia, insuficiente para reverter as perdas desta sexta-feira. Ainda assim, atuou como um limitador das baixas, já que o pregão é de ajustes técnicos e realização de lucros depois de uma semana de consequentes e fortes altas. 

Ainda assim, por volta de 13h50 (horário de Brasília), os principais vencimentos permaneciam em bons patamares, com o novembro valendo 12,34 e o março/27 US$ 12,54 por bushel.

O mercado na CBOT assumiu patamares bastante positivos nestes últimos dias frente aos dados que foram chegando do Pro Farmer Crop Tour realizado nesta semana. Os relatos deixaram bastante evidente que a safra nova dos Estados Unidos tem problemas importantes nos principais estados produtores, que o potencial produtivo está comprometido, o que deverá fazer com que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) revise, nos próximos boletins mensais de oferta e demanda, seus números de produção, produtividade e estoques finais. 

A puxada forte nas cotações foi, inclusive, manchete na agência internacional de notícias Bloomberg conectada ao moemento de demanda mais forte da China pela soja dos Estados Unidos. 

"Condições climáticas extremas estão reduzindo o potencial das colheitas nos EUA e aumentando os preços para os agricultores, justamente quando a China, principal importadora de commodities, está aumentando as compras de soja para cumprir um compromisso firmado entre os líderes dos dois países", noticiou a agência.

Assim, temendo ganhos ainda mais intensos em Chicago e, consequentemente no que terão que pagar pela oleaginosa do país de Donald Trump, os compradores de Xi Jinping vem garantindo bons volumes dessa soja. Os números oficiais dão conta de que a China já teria comprado quase seis milhões de toneladas da commodity nos EUA até meados de agosto. 

A compra de 712 mil toneladas informada nesta sexta marca o maior volume de compra diário da temporada - e em anos - à medida que o ritmo de compras aumenta antes do encontro marcado para setembro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping. 

"Eles não estão nos procurando primeiro, estão indo a outros lugares para comprar o que atender à sua demanda de matérias-primas para a produção de ração. Vamos contornar algumas das coisas que não estão a nosso favor agora e continuar trabalhando duro", disse Lee Brooke, presidente do conselho da Associação de Soja de Iowa, à Bloomberg, que observou que sua organização está encontrando demanda em países menores.

Ainda assim, ele expressou esperança de que as políticas comerciais de Trump acabem beneficiando os agricultores. 

Do mesmo modo, o produtor Brian Nilson, do Nebraska - um dos estados mais afetados por adversidades climáticas -, afirmou que o equilíbrio entre produção e preços, por vezes, tem um custo alto. "Na agricultura, para conseguirmos bons preços pelas nossas colheitas, alguém tem que fracassar, o que é realmente triste. Mas acho que tenho colheitas muito boas, e considerando a situação no resto do país, talvez tenhamos alguma esperança de conseguir preços decentes", disse à agência internacional. 

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Por:
Carla Mendes | Instagram @jornalistacarlamendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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