China acelera compras de soja nos EUA, mas mercado se questiona sobre cumprimento das 25 mi de t
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A China comprou mais 136 mil toneladas de soja dos Estados Unidos nesta terça-feira (18), de acordo com um novo anúncio trazido pelo USDA (Departamento de Agricultura dos EUA) e reitera a força da demanda da nação asiática no mercado norte-americano. O ritmo indica, segundo afirmam analistas e consultores de mercado, que os chineses caminham para alcançar o acordo entre Pequim e Washigton firmado no ano passado sobre as compras anuais de, pelo menos, 25 milhões de toneladas.
Até aqui, a China já comprou, aproximadamente, seis milhões de toneladas deste total. E embora as aquisições continuem acontecendo, Pequim nunca trouxe, desde as declarações de Scot Bessent, uma confirmação oficial das compras e/ou dos volumes.
O ritmo ficou ainda mais intenso nas últimas semanas à medida em que se aproxima a visita do líder chinês Xi Jinping a Washington em setembro, somado ao fato de que a oleaginosa norte-americana vinha, de fato, mostrando-se mais barata do que a brasileira.
As compras, todavia, vêm sendo feitas pelas estatais da China, enquanto as processadoras privadas não caminham na mesma direção. E o cenário poderia, segundo especialistas, tornar as 25 milhões de toneladas mais difíceis de serem alcançadas.
"Embora a falta de participação privada na compra de soja não signifique que a China não possa atingir a meta estabelecida pela Casa Branca, isso torna a tarefa mais difícil, dada a limitada capacidade de armazenamento e processamento na cadeia de suprimentos estatal", afirmaram fontes do comércio chinês ouvidas pela agência internacional de notícias BLoomberg.
Para Liu Haowen, analista da Wuchan Zhongda Futures Co. Ltd., também em entrevista à Bloomberg, as empresas privadas de processamento deixaram parte de sua demanda em abert e, caso a disponibilidade do grão norte-americano não aumente, os estoques de farelo poderiam ficar mais ajustados no país. Na outra ponta, as processadoras afirmam também que a soja do Brasil mais cara neste momento levou as margens ao campo negativo.
"Qualquer choque imediato na oferta seria amortecido pelos amplos estoques de soja e farelo de soja da China, disse Liu. "Mas essa reserva pode não durar muito, e a janela para garantir suprimentos adicionais está se fechando". Ainda segundo o especialista, a cobertura de soja pelas processadoras privadas na China entre novembro e janeiro ainda está indefinida.
Há 10 dias, durante um o evento 'Soy Connext', o cônsul da China em Chicago, nos EUA, afirmou que a guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo promoveu uma forte ruptura no fluxo comercial da soja.
"Os agricultores americanos foram vítimas e arcaram com grande parte dos custos. Essa experiência tortuosa demonstra, mais uma vez, que o unilateralismo e o protecionismo não servem aos interesses de ninguém, e que não há vencedores em guerras tarifárias e comerciais", disse Wang Baodong.
Enquanto os players do mercado não se decidem se a China vai comprar os 25 milhões, mais ou menos soja dos Estados Unidos, na Bolsa de Chicago os futuros da oleaginosa seguem refletindo a presença constante dos compradores asiáticos e registrando novos ganhos nas últimas sessões, com um apoio importante da demanda.
Nesta terça-feira, as cotações chegaram a subir mais de oito pontos mais cedo, levando o março a superar os US$ 12,40 por bushel. Perto de 14h15 (horário de Brasília), as cotações subiam de 1,50 a 4 pontos, levando o setembro a US$ 12,02, o novembro a US$ 12,19.
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