Soja desaba em Chicago com clima ideal nos EUA; Brasil tem pressão nos preços e negócios travados
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O mercado internacional da soja operou em forte queda nesta terça-feira (2) e terminou o dia com baixas de dois dígitos na Bolsa de Chicago. A exemplo do que aconteceu com o milho e também com o trigo, a oleaginosa vem sofrendo uma pressão técnica e fundamental na CBOT neste momento, motivada, principalmente, pelo clima favorável e o bom desenvolvimento na safra 2026/27 dos Estados Unidos.
Os futuros da commodity despencaram de 11 a 16 pontos nas posições mais negociadas, levando o julho a US$ 11,65 e o agosto a US$ 11,69 por bushel. O óleo e o farelo de soja também cederam no pregão desta terça.
O relatório de acompanhamento de safras divulgado ontem pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) confirmou o que o mercado já esperava, que é o avanço rápido das plantadeiras no país e o bom desenvolvimento inicial das lavouras.
Os EUA atingiram 87% da área total semeada, superando os 83% do ano passado e os 80% da média histórica. Além disso, na primeira avaliação das lavouras desta temporada, o USDA apontou que 66% das áreas estão em condições boas ou excelentes.
Como as previsões climáticas indicam chuvas regulares e temperaturas amenas para o Corn Belt nas próximas semanas, os fundos de investimento intensificaram as vendas de contratos, antecipando uma oferta global robusta. Para completar, a demanda da China pela soja norte-americana segue lenta, deixando o cenário fundamental sem gatilhos de alta.
O mapa abaixo, do NOAA - o departamento oficial de clima dos EUA - mostra as chuvas previstas para os próximos sete dias nos EUA, com bons volumes sendo esperados para todo o Corn Belt, em especial estados-chave como Iowa, Illinois, Indiana, Ohio, Missouri, Minnesota.
"Fundamentalmente, o mercado não identifica neste momento riscos relevantes para a safra de verão dos EUA, com bons volumes de chuva observados recentemente e previsões de precipitações abrangentes para as próximas semanas. A exceção permanece no leste do cinturão agrícola, onde os acumulados projetados continuam mais limitados", traz a equipe de análises do Grupo Labhoro. "Os players também seguem atentos à posição da China em relação à prometida redução das tarifas sobre produtos agrícolas norte-americanos".
NO BRASIL, PRÊMIOS PRESSIONADOS E NEGÓCIOS TRAVADOS
A queda em Chicago se refletiu diretamente nas praças de comercialização do Brasil e os preços cederam no mercado doméstico. O impacto, porém, varia conforme a região devido ao comportamento do câmbio e dos prêmios, que ainda estão pressionados.
Nos portos, as refrências permanecem ao redor dos R$ 130,00 por saca, oscilando na esteira de Chicago e do dólar, mas sem estimular um volume de negócios mais intenso nos últimos dias.
Assim, o produtor brasileiro tem optado esperar por repiques do mercado, travando novas vendas e mantendo a liquidez interna ainda bastante reduzida.
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