Soja despenca mais de 30 pts em Chicago sem anúncio de novas compras adicionais da China nos EUA
Foto: Kenny Holston/Pool/Getty Images
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O mercado da soja está despencando na Bolsa de Chicago nesta quinta-feira (14) e já perde o patamar dos US$ 12,00 por bushel. Por volta de 11h25 (horário de Brasília), as cotações perdiam entre 24,25 e 35,25 pontos, com o julho valendo US$ 11,98 e o agosto, US$ 11,95 por bushel. Além do grão, caem ainda os futuros do farelo - mais de 1% - e do óleo de soja. Entre os futuros do milho e do trigo as perdas também são bastante agressivas.
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O dia é de intensa e generalizada baixa para as commodities agrícolas. O algodão negociado na Bolsa de Nova Iorque desaba mais de 4% no final da manhã de hoje e é acompanhando por açúcar e café. Os olhos de todos os mercados estão na já tensionada cena geopolítica global, porém, ainda mais voltados para a reunião entre Donald Trump e Xi Jinping que acontece em Pequim nesta quinta e sexta-feiras.
"Um dos motivos de Chicago ter ido para a casa dos US$ 12,00 por bushel foi a exagerada expectativa do mercado de que a China poderia comprar mais soja dos EUA. Alguns apostavam em aumento de compra ainda dentro desta temporada", afirmou o diretor e analista de mercado da Royal Rural, Ronaldo Fernandes. E foi esta expectativa talvez otimista demais que trouxe, em partes, os preços da soja até os patamares que vinham sendo observados até o fechamento desta quarta-feira (13). No pregão de ontem, o contrato julho marcou os US$ 12,30 na máxima do dia.
No entanto, as primeiras notícias que chegam de Pequim já dão conta que Trump e Xi se alinharam, ao menos previa e temporariamente, sobre as tarifas, mas sem a sinalização de compras adicionais a serem feitas pela China, principalmente de soja da safra velha dos EUA.
"Agora está acontecendo o encontro entre Trump e Xi Jinping e hoje, dia 14, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, disse que a demanda por soja “está totalmente resolvida”, mas fazendo referência aquele acordo de 25 milhões de toneladas por ano, que já estava precificado desde 2025, que é praticamente o volume mínimo de costume de compras da China. De longe não é um bom acordo. Tudo bem que garante a China continuar no mercado americano, mas, sem briga, a China já levaria esse volume normalmente. A declaração, na verdade, faz entender que não haverá nada além disso", analisa Fernandes.
O analista pondera dizendo, porém, que "esse ainda não é o resultado oficial. A reunião ainda está acontecendo, pode ainda haver algum volume a ser anunciado. Conclusão: se não tiver mais nenhum novo acordo adicional, Chicago ainda tem espaço para continuar caindo. Se vier acordo adicional, Chicago volta a subir".
Fernandes não acredita em um mercado que se distancie muito dos US$ 11,50, mesmo com a continuidade das baixas.
Segundo informações da Agrinvest Commodities, os dois chefes de estado já trataram das tarifas sobre a soja e os rumores sinalizam que os EUA concordaram em suspender por um ano as tarifas recíprocas adicionais de 24% impostas sobre produtos chineses e remover a tarifa de 10% ligada ao fentanil. Do mesmo modo, a China teria suspendido a tarifa adicional de 10% sobre a soja.
O time da consultoria afirma ainda que "do ponto de vista econômico e sob a ótica da oferta e demanda, a China não precisa fazer esse movimento. A soja americana está cara e as margens na China seguem ruins. Ou seja, as compras de 12 milhões de toneladas tiveram caráter muito mais político. Compras adicionais seguiriam a mesma lógica. E do lado dos EUA, também há pouco espaço para novas vendas nesta temporada. Mesmo um volume entre 1 e 2 milhões de toneladas já traria aperto ao estoque de passagem, levando a relação estoque/uso para as mínimas das últimas safras".
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