Com greve de caminhoneiros na Argentina, farelo de soja sobe mais de 4% em Chicago e puxa o grão
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Os preços da soja voltaram a registrar bons ganhos no pregão desta sexta-feira (10) na Bolsa de Chicago, após uma semana de lateralização. Por volta de 13h30 (horário de Brasília), as cotações avançavam de 6,25 a 10,25 pontos nos principais contratos, levando o maio a US$ 11,75 e o julho a US$ 11,90 por bushel. A disparada do farelo - com altas de mais de 4% - é o principal combustível para os preços do grão.
A falta do produto argentino em função da greve dos caminhoneiros no país vem dando um espaço importante à demanda pelo produto dos EUA, puxando forte as cotações na CBOT. O movimento é intenso e ajuda a garantir boas margens para a processadoras norte-americanas. O contrato maio valia US$ 331,80 e o julho, US$ 328,10 por tonelada curta.
Ao passo em que as notícias no cenário geopolítico se mostram cada vez mais divergentes e geram cada vez mais incerteza, os trades voltam-se aos fundamentos e vão trazendo ajustes ao mercado, em especial frente ao início da nova safra dos Estados Unidos, prestes a começar. Os olhos deverão estar agora voltados aos clima no Meio-Oeste americano, no desenvolvimento do plantio e no acompanhamento da demanda.
Mais um fator de lata para as cotações da soja em Chicago é o dólar em queda frente ao real. A moeda americana valia, na tarde desta sexta-feira, R$ 5,03, com baixa de 0,7%.
MOTORISTAS PARADOS, ARGENTINA TRAVANDO
Caminhoneiros autônomos estão paralisados desde o meio desta semana e há bloqueios em importantes pontos de Buenos Aires, Córdoba e Santa Fé com rotas para os principais pontos de exportação, segundo informa o jornal local Clarin, um dos mais importantes da Argentina. "Em janeiro, nossa tarifa caiu 10% e o diesel subiu quase 18%. É uma loucura. Não dá para cobrir as despesas", afirma o caminhoneiro Mariano Gorosito.
Com um cenário semelhante ao que acontece no Brasil, os motoristas autônomos reivindicam, entre outros pleitos, uma tarifa de referência para o transporte de grãos, a qual deveria ser elevada, segundo eles, entre 25% e 30% para compensar a forte alta dos preços dos combustíveis. A situação é antiga, porém, se agravou com o choque nos preços do petróleo em função dos conflitos no Oriente Médio.
"Antes, o combustível diesel representava 35% ou 38% da viagem. Hoje, representa quase 60%. “Recebemos em 60 ou 90 dias. Não estamos perdendo dinheiro, mas estamos falindo de tanto trabalhar", complementou Gorosito.
Ainda de acordo com as últimas informações trazidas pelo Clarin, a falta de um acordo já ameaça interromper a logística da principal colheita e o abastecimento normal dos portos, em um momento crucial para a entrada de divisas no país.
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