Ferrugem asiática desafia e impacta a produtividade da soja
A ferrugem asiática da soja continua sendo uma das principais e mais agressivas doenças que afetam a cultura no Brasil. Quando não controlada de forma adequada e no momento correto, a doença pode causar perdas de até 100% da lavoura, comprometendo a rentabilidade do produtor rural.
Causada por um fungo altamente agressivo, a ferrugem asiática se desenvolve com maior intensidade em temperaturas amenas, entre 20°C e 25°C, e em períodos prolongados de molhamento foliar, que variam de oito a dez horas. Nessas condições, o fungo encontra o ambiente ideal para se multiplicar e se espalhar entre plantas e lavouras.
De acordo com Clovis Roberto Schwengber, técnico em agropecuária e extensionista da Emater/RS-Ascar, os primeiros sinais da doença aparecem como pequenas pintas na folhagem, que evoluem para manchas maiores, seguidas pela queda precoce das folhas. "Um dos principais diferenciais da ferrugem asiática é a presença de esporulações de coloração marrom, localizadas principalmente na parte inferior das folhas, com aspecto de pequenos vulcões", explica. Ele ressalta ainda que "embora possam ser vistas a olho nu, a identificação correta e mais precisa é com o uso de lupa de aumento de até 20 vezes ou através de análises laboratoriais".
Os impactos causados pela doença podem afetar a soja desde o seu estágio inicial de desenvolvimento, mas é na fase reprodutiva, quando a planta apresenta menor capacidade de reação, que costumam ocorrer os maiores prejuízos. Após a instalação da ferrugem, o controle se torna extremamente difícil, reforçando a importância de ações preventivas e antecipadas.
O fungo responsável pela ferrugem asiática sobrevive em plantas hospedeiras, sendo a própria soja a principal delas. A disseminação de seus esporos acontece principalmente pelo vento, atingindo as folhagens e multiplicando-se rapidamente, podendo comprometer toda a plantação e até mesmo áreas vizinhas.
O uso de espaçamentos adequados, plantio precoce, adoção de cultivares com resistência genética, aplicações sequenciais de fungicidas com diferentes modos de ação e monitoramento de áreas vizinhas são as principais estratégias de manejo integrado da ferrugem asiática. A falta de controle adequado pode resultar em perdas totais da produção, causando forte impacto econômico. A detecção e reconhecimento precoce permitem a aplicação de fungicidas específicos no momento certo, aumentando de forma significativa a eficiência do manejo.
O vazio sanitário também tem papel fundamental no controle da doença, pois elimina plantas hospedeiras no campo, quebrando o ciclo do fungo. Porém, o risco de resistência aos fungicidas é real e exige atenção. A rotação de princípios ativos e o uso consciente dos produtos são medidas essenciais para manter a eficiência do controle ao longo do tempo.
Schwengber destaca que a pesquisa agrícola tem contribuído para o avanço no controle da ferrugem asiática, com o desenvolvimento de novos princípios ativos, misturas mais eficientes e cultivares com resistência genética, como a chamada Soja Inox. "Atualmente, a doença já não causa o mesmo temor do passado, graças ao maior conhecimento técnico dos produtores", relata o extensionista.
A expectativa para os próximos anos é de que o manejo aconteça de forma mais eficiente, com atenção redobrada nas condições que favorecem a doença, como safras com clima chuvoso, alta umidade e temperaturas amenas.
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