Caso da Moratória da Soja tem reviravolta no Cade e pacto pode prosseguir até o fim do ano
![]()
Por Roberto Samora e Oliver Griffin
SÃO PAULO (Reuters) - O plenário do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) decidiu nesta terça-feira, por maioria, suspender até o final do ano uma medida preventiva da superintendência-geral do órgão antitruste contra a Moratória da Soja, acolhendo parcialmente um recurso das empresas compradoras da oleaginosa.
A decisão indica uma reviravolta no caso, após o conselheiro-relator do processo no Cade, Carlos Jacques Gomes, ter votado mais cedo nesta terça-feira contra recurso apresentado por comerciantes e processadores de soja, mantendo a suspensão da Moratória da Soja.
A moratória é um pacto entre as empresas compradoras da oleaginosa, que está em vigor há quase 20 anos e proíbe a aquisição do grão cultivado de áreas desmatadas na Amazônia após julho de 2008, com o objetivo de preservar a floresta.
A decisão do plenário do Cade frustra, por ora, o setor de produção de soja, já que algumas associações de agricultores consideram que o acordo privado representa um cartel. Mas pode ser vista como positiva por defensores da moratória, como ambientalistas, que admitem a importância do pacto para evitar desmatamento.
O conselheiro José Levi Mello do Amaral Júnior deu parcial provimento ao recurso das tradings, determinando a suspensão de uma medida preventiva -- concedida em agosto pela Superintendência-Geral do Cade contra a Moratória da Soja -- até 31 de dezembro de 2025.
Segundo Amaral Júnior, a suspensão da medida preventiva até o final do ano daria mais tempo para que partes privadas possam dialogar com produtores de soja, que argumentam que a moratória dá maior poder de barganha para as tradings na aquisição do produto.
A associação de tradings e processadoras de soja, Abiove, uma das partes envolvidas no processo, destacou que o prazo dado pelo Cade será destinado a permitir que agentes privados e públicos dialoguem em busca de uma "solução" para o tema.
"A Abiove continuará acompanhando os desdobramentos no Cade e segue à disposição para colaborar com as autoridades competentes, em prol da segurança jurídica e da previsibilidade regulatória do setor", afirmou em comunicado.
Amaral Júnior frisou que o seu voto exclui quaisquer outras considerações sobre a ocorrência ou não de algum ilícito concorrencial. O conselheiro foi seguido por outros três colegas no colegiado (Victor Fernandes, Diogo Thomson de Andrade e Camila Cabral Pires Alves).
Já Gustavo Augusto Freitas de Lima, presidente do Cade, concordou em dar mais tempo para a moratória seguir em vigor, até o final do ano. Mas ele destacou que a medida preventiva da superintendência-geral do conselho contra a moratória precisará ser cumprida a partir de 1º de janeiro de 2026, se não avançarem as conversas entre as partes.
Embora tenha concedido um prazo para o diálogo com as partes, Lima citou preocupações concorrenciais, ao citar a concentração de mercado de empresas como ADM, Bunge, Cargill e Louis Dreyfus. "Estamos falando da ABCD, elas têm um poder de mercado", disse, em referência às gigantes do setor do agronegócio.
Já o conselheiro-relator do caso citou problemas concorrenciais ao proferir seu voto, apontando preocupações sobre potenciais danos anticompetitivos que promoveriam aumento do poder de barganha das tradings na compra de soja junto a agricultores.
Os conselheiros julgaram um recurso contra uma medida preventiva de agosto do superintendente-geral do Cade, Alexandre Barreto de Souza, que ordenou aos comerciantes de grãos a suspensão da moratória sob pena de imposição de multas pesadas, alegando cartel entre as compradoras de soja participantes do pacto.
Uma semana após a decisão de Souza, a associação de tradings e processadoras de soja, Abiove, solicitou à Justiça federal que bloqueasse a decisão do superintendente-geral e obteve uma decisão favorável.
Foi então concedido um mandado de segurança contra a suspensão da moratória até que o tribunal do Cade tomasse uma decisão final sobre o recurso.
(Por Roberto Samora e Oliver Griffin)
0 comentário
Preços da soja caem em Chicago, mas alta do dólar mantém equilíbrio no mercado brasileiro
Soja busca sustentação em Chicago nesta 4ª, com suporte do farelo, de olho no clima e no cenário externo
Soja em Chicago e dólar sobem nesta 3ª feira, mas preços no BR ainda são limitados por alta disponibilidade
Imea estima safra de soja 26/27 de Mato Grosso 5,2% menor do que a anterior com El Niño no radar
Anec faz leve redução na previsão de embarques de soja do Brasil em junho
Soja segue estável em Chicago, sustentando leves altas; no Brasil atenção ao dólar