Soja do Brasil conta com confiança da China, mesmo se houver acordo com EUA, diz Abiove
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SÃO PAULO (Reuters) - O setor produtivo de soja do Brasil, maior produtor e exportador da oleaginosa, conta com a confiança de seu principal parceiro comercial, a China, mesmo na eventualidade de um acordo de Pequim com Washington sobre tarifas, avaliou nesta quarta-feira o presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), André Nassar.
"Eu acredito que tem uma boa chance de Estados Unidos e China se entenderem. Mas o Brasil se provou um fornecedor confiável para China", disse ele, ao ser abordado durante a Fenasucro & Agrocana, após participar de uma apresentação no evento em Sertãozinho (SP).
Para Nassar, a China "não vai abrir mão da nossa soja", mesmo com um acordo entre os governos das duas maiores economias do mundo.
"A China sabe que o Brasil é um fornecedor confiável, a China sabe que o Brasil tem soja de qualidade, sabe que a gente consegue fazer uma janela longa de fornecimento de soja para eles...", acrescentou ele, de acordo com áudio encaminhado à Reuters pela assessoria do evento.
No domingo, Trump pediu à China que quadruplicasse suas compras de soja antes do prazo final da trégua tarifária, uma meta que analistas disseram ser inviável, pois exigiria que a China comprasse quase exclusivamente dos EUA. No dia seguinte, os dois lados estenderam a trégua tarifária por 90 dias --o acordo se mantém em vigor, pelo menos por enquanto, uma tarifa de 30% sobre as importações chinesas, com as taxas chinesas sobre as importações dos EUA em 10%.
Se houver um acordo, disse Nassar, "evidentemente a China vai comprar mais soja americana", mas ele afirmou que é difícil prever o impacto para o Brasil, já que tudo vai depender do resultado das negociações.
"Então, se reduzirem as tarifas, que é o que eu acho que pode acontecer, que seria um cenário possível de ocorrer, é evidente que a soja (dos EUA) vai ficar mais competitiva. Mas nós criamos, nós ganhamos credibilidade no mercado chinês desde a guerra comercial em 2018", ressaltou Nassar.
Ele disse acreditar que, provavelmente, quando as negociações entre China e EUA estiverem encerradas, os produtores brasileiros de soja já terão definido a intenção de plantio da próxima safra (2025/26), que começa a ser semeada em meados de setembro.
"Não vejo o produtor tomando uma decisão diferente. Ele precisa olhar bem o mercado, vender a soja e travar preço, se proteger, a prudência nesse caso faz sentido", observou.
Nassar lembrou ainda que a China já indicou que quer substituir o farelo de soja por outras matérias-primas na ração, o que torna mais importante a industrialização da soja no Brasil.
"O biodiesel já está aí, é preciso entender que precisamos aumentar a industrialização da soja no Brasil", afirmou.
Segundo ele, as empresas tendem a valorizar a soja que vai para industrialização, o que se reflete em melhores preços para o produtor.
(Por Roberto Samora)
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