Soja: Preços caem nos portos e no mercado de balcão no Brasil acompanhando despencada em Chicago
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As perdas entre os futuros da soja nesta quarta-feira (22) se intensificaram e foram de 28,25 a 34,50 pontos entre os principais contratos no encerramento do pregão na Bolsa de Chicago. Mais uma vez, o mercado sentiu forte a pressão do financeiro em todo o complexo, principalmente no óleo, que terminaram o dia perdendo entre 3,69% e 4,06% nas posições mais negociadas, levando o agosto a 68,88 cents de dólar por libra-peso.
Durante todo o pregão os futuros do óleo lideraram as baixas, acompanhando um novo dia de despencada de todos os óleos vegetais mundo a fora, bem como as perdas agressivas que se deram também entre os preços do petróleo.
"A pressão vem do mercado global de óleos. Forte queda na Malásia, Índia e China. O óleo de palma caiu quase 10% hoje, aumentando a queda em relação aopico do ano, com um queda acumulada de quase 40%. Menor crescimento global e mais oferta. O petróleo em queda também acaba tirando força deste mercado", explicou Eduardo Vanin, da Agrinvest Commodities.
O petróleo, que chegou a perder mais de 5% ao longo do dia, fechou o dia com estabilidade, mas ainda com o mercado contaminado pelos temores de um menor crescimento econômico mundial que vai impactar diretamente o consumo de combustíveis. Todavia, como explicou Pedro Shinzato, analista de petróleo e derivados da consultoria StoneX, o mercado passa por problemas de refino neste momento.
Entenda mais conferindo sua entrevista na íntegra ao Notícias Agrícolas:
O mercado de commodities agrícolas continua sentindo a agressiva pressão vinda do financeiro. A aversão ao risco é crescente, os fundos seguem desfazendo suas posições nestes ativos e buscando outros mais seguros frente a tantas incertezas. Assim, perdem não só as agrícolas, mas as commodities de uma forma geral.
"Fundos continuam saindo de posições, optando por posição semelhantes a dinheiro vivo como duplicatas de empresas com até 30 dias (baixo risco de default). Tudo isso em dólar. A posição comprada em dólar continua crescendo. A liquidez está esfriando rápido. Fundos especializados em papeis de dívida de alto risco continuam reportando retiradas. A inflação não para", afirma ainda Vanin.
Os fundamentos estão no radar, porém, têm pouca força neste momento. O que mais pesa é o consumo comprometido na China em função dos novos lockdowns que colocam milhões de pessoas novamente em quarentena.
PREÇOS NO BRASIL
No Brasil, os preços nos portos já perderam a referência dos R$ 200,00 nesta semana, apesar de uma nova alta do dólar frente ao real. A moeda americana encerrou o dia com R$ 5,18 e alta de 0,45%, insuficiente para neutralizar a despencada de Chicago.
No terminal de Rio Grande, R$ 195,00 era o indicativo e em Paranguá, de R$ 194,00 a R$ 196,00 por saca, como relatou o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting. "O lobinho (R$ 200,00 por saca) sumiu dos portos".
Ainda segundo o especialista, os preços de balcão também recuam no interior do país, caindo até R$ 3,00 por saca, como é o caso de Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina.
"Isso é sinal de que o mercado vai se acomodando, o pessoal sabe que tem muita soja para negociar e isso vai derrubando o balcão", explica o consultor. "Mesmo em queda, o pessoal relatou uma corrida de venda no balcão", diz.
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