Soja sobe quase 2% na Bolsa de Chicago e indicativos no BR caminham para os R$ 130/sc

No boletim semanal de vendas para exportações norte-americanas reportados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) nesta quinta-feira (13), os números da safra nova de soja mais uma vez surpreenderam. Na semana encerrada em 6 de agosto, o país vendeu 2,839,400 milhões de toneladas da oleaginosa. O número ficou bem acima das expectativas do mercado, que variavam de 1 a 1,8 milhão de toneladas. A China foi a principal compradora.
Da safra 2019/20 foram 570,1 mil toneladas e o total ficou ligeiramente acima das projeções do mercado, de 100 mil a 550 mil toneladas. Os chineses também foram os principais compradores. Em todo o ano comercial, os EUA já comprometeram com a comercialização 47,510,7 milhões de toneladas da oleaginosa, enquanto o USDA ainda projeta as exportações totais dos EUA em 44,9 milhões de toneladas.
Mais do que isso, o mercado recebeu ainda o anúncio de novas vendas de soja do EUA para a China e mais destinos não revelados que somaram 399 mil toneladas. Foram 197 mil toneladas para a nação asiática e 202 mil para destinos não revelados.
Assim, as vendas da semana passam de 1,6 milhão de toneladas e continuam confirmando a presença mais forte e frequente da nação asiática no mercado americano. As compras chinesas se concentram agora no mercado norte-americano pela pouca disponibilidade do produto no Brasil e pelo preço menor que tem agora a oleaginosa dos EUA.
Toda essa força maior da demanda da China no mercado norte-americano que tem sido observada nas últimas semanas tem se mostrado um dos principais combustíveis para os preços da soja negociada na Bolsa de Chicago, que fechou o pregão desta quinta-feira (13) com ganhos de quase 2% entre as principais posições.
Os contratos mais negociados terminaram o dia subindo de 15,75 e 16,75 pontos, com o agosto valendo US$ 9,07 e o novembro, US$ 9,04 por bushel. "O mercado está olhando mais paraa demanda neste momento. A China retomou suas compras, principalmente com a recomposição dos planteis, o que levou os estoques finais mundiais a ficarem abaixo do que o mercado esperava", explica Camilo Motter, economista e analista de mercado da Granoeste Corretora de Cereais.
O mercado observa também o desenvolvimento da safra americana e os impactos da tempestade que castigou o Meio-Oeste americano nesta semana. O vendaval - fenômeno climático conhecido como 'derecho' - chegou ao coração do Corn Belt nesta semana e alcançou uma faixa de extensão de 240 mil km², segundo relata o consultor de mercado da Roach AgMarketing, Aaron Edwards, em entrevista ao Notícias Agrícolas nesta quinta-feira (13).
Os estados mais afetados foram Illinois, Indiana e, principalmente Iowa, onde mais de 4 milhões de hectares foram devastados pelos ventos fortes e chuvas fortes.
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MERCADO BRASILEIRO
E como não poderia deixar de ser, os preços da soja subiram forte também no mercado brasileiro, com algumas praças registrando altas de até 4,35%, como foi o caso de Brasília/DF, onde o preço da saca foi a R$ 120,00. As cotações subiram não só no interior, como nos portos. No terminal de São Francisco do Sul, a alta foi de 2,64% para R$ 124,50.
Além das altas em Chicago, o dólar permanece alto e mesmo com a baixa de 1,56% nesta quinta fechou em R$ 5,37. E a moeda americana nos atuais patamares, assim como os prêmios, continuam complementando favoravelmente a formação dos indicativos no Brasil.
"Os indicativos caminham para os R$ 130,00 no Brasil, em cima do câmbio, com o mercado do dia, nos portos, variando entre R$ 127,00 e R$ 128,00, e patamares um pouco acima nas indústrias do Sul, que seguem buscando o grão", explica Vlamir Brandalizze, consultor de mercado da Brandalizze Consulting.
A tendência é de que as importações brasileiras também continuem acontecendo e podendo aumentar, principalmente de produto vindo do Paraguai, onde a oferta também já começa a se mostrar um pouco mais limitada. "E isso já fortalece os indicativos no Paraguai também", diz Brandalizze.
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