Soja: Preços sobem até 3% nos portos do Brasil motivados pela forte alta do dólar nesta 2ª feira

Apesar das baixas fortes e de mais de 1% da soja na Bolsa de Chicago nesta segunda-feira (4), os preços no mercado brasileiro voltaram a subir e terminaram o dia com altas de 0,96% a 0,98% nos portos do país. As referências para a soja disponível ficaram em R$ 105,50 no porto de Paranaguá; R$ 105,00 em Rio Grande, R$ 107,00 em Santos - onde a alta nesta segunda passou de 3% - e R$ 105,20 em Imbituba. O principal combustível para as cotações da soja permanece sendo o dólar, que fechou com mais de 1,5% de alta, voltando a superar os R$ 5,50. Durante o dia, a moeda americana testou novamente os R$ 5,60.
"O momento segue muito favorável para o mercado de soja no Brasil", disse Luiz Fernando Gutiterrez, analista de mercado da Safras & Mercado. Segundo ele, os negócios, porém, se mostram um pouco mais limitados neste momento, com os compradores um pouco mais retraídos agora, enquanto os vendedores ainda se mostram mais presentes no mercado.
E isso se dá com a soja brasileira, aos poucos, se tornando mais cara do que a norte-americana, que deverá atrair a demanda chinesa, principalmente no segundo semestre. Ainda segundo o analista até lá, a nação asiática deverá manter a concentração de suas compras no mercado brasileiro.
"No Brasil, as exportações seguem extremamente aquecidas. Sem qualquer dúvida, a China se mostra sendo o principal destino da oleaginosa brasileira, com 10,5 milhões de toneladas do grão exportado exclusivamente para a gigante asiática nestes últimos 30 dias. A tendência de fortes exportações da soja no Brasil continuará durante maio", dizem os diretores da ARC Mercosul.
BOLSA DE CHICAGO
As cotações na Bolsa de Chicago recuram forte neste início de semana refletindo uma composição de fatores negativos, liderados pelas preocupações no financeiro e nas relações entre China e Estados Unidos. As perdas entre os principais contratos ficaram entre 11 e 13,25 pontos nos principais contratos, levando o maio a US$ 8,34 e o agosto a US$ 8,38 por bushel.
Segundo explicam os analistas da Agrinvest Commodities, a alta da divisa e a queda de uma série de ativos se dá com "o sentimento de que a recuperação econômica será mais letnta do que o inicialmente previsto e pela nova escalada das tensões entre EUA e China".
Na última quinta-feira (30), o presidente norte-americano Donald Trump afirmou que a fase um do acordo com os chineses teria sido colocado em segundo plano frente aos problemas causados pelo coronavírus. Mais do que isso, Trump ainda ameaçou a nação asiática com a possibilidade de mais tarifas.
Como explicam analistas da consultoria internacional Allendale, Inc., há uma grande preocupação no mercado internacional também com a demanda interna norte-americana frente ao fechamento de algumas plantas frigoríficas também em função da Covid-19.
"Os traders continuarão a monitorar o espalhamento do vírus bem como qualquer nova movimentação e escalada das tensões entre China e Estados Unidos", diz a Allendale.
Da mesma forma, o mercado se atenta ainda ao avanço do plantio da safra 2020/21 dos EUA. A semeadura da soja chegou a 23% da área estimada, enquanto as projeções variavam de 16% a 18%. Há uma semana, o índice era de 8%, em 2019 - lembrando que este foi um ano atípico para a agricultura norte-americana em função do clima extremamente adverso - eram 5% e a média das últimas cinco safras é de 11%.
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