Rússia critica envio de sistema de mísseis dos EUA à Noruega, vê golpe contra ideia de negociações sobre armas
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MOSCOU, 7 Set (Reuters) - A Rússia criticou a implantação de um sistema avançado de mísseis dos Estados Unidos na Noruega, país membro da aliança militar ocidental Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), afirmando nesta segunda-feira que isso representou mais um golpe nas perspectivas de negociações entre os EUA e a Rússia sobre a estabilidade nuclear estratégica.
Reportagens da mídia norte-americana informaram que Washington havia entregue à Noruega, em agosto, um sistema de mísseis que utilizava lançadores do tipo Mk-41, capazes de disparar mísseis de cruzeiro Tomahawk.
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou que a implantação representa uma ameaça, pois os lançadores poderiam ser usados para disparar mísseis capazes de atingir uma parte substancial da Rússia europeia, incluindo Moscou.
“Medidas como a implantação na Europa de mísseis de alcance intermediário de base terrestre dos EUA, que representam uma ameaça à Federação Russa, ‘zeram’, para dizer o mínimo, as condições para um diálogo construtivo com os EUA sobre questões estratégicas”, afirmou o ministério em comunicado.
A pasta acrescentou ainda que a Rússia prestará “atenção especial” aos locais de implantação e aos centros de comando e controle dos sistemas de mísseis dos EUA e que estes se tornariam alvos em caso de um conflito militar.
O presidente dos EUA, Donald Trump, tem falado repetidamente em tentar concluir algum tipo de novo acordo de controle de armas com a Rússia e a China, mas o Ministério das Relações Exteriores da Rússia descreveu, nesta segunda-feira, os planos de buscar negociações multilaterais envolvendo a China como “não realistas”.
Por outro lado, o Kremlin criticou as recentes medidas da Noruega para reforçar sua defesa, expandindo sua brigada de Finnmark, no Ártico, para incluir um batalhão de artilharia, além dos planos de implantar novos sistemas de foguetes de longo alcance até 2030.
A Noruega, que faz fronteira com a Rússia no Ártico, afirma que a guerra na Ucrânia demonstrou que sistemas de longo alcance são essenciais no campo de batalha moderno.
Questionado sobre essas medidas, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse aos repórteres que “sem dúvida, tal reforço militar, dirigido contra nosso país... não pode deixar de ser percebido como uma ameaça à segurança da Rússia”.
Ele afirmou que isso constitui motivo para que a Rússia adote suas próprias medidas adicionais para garantir sua segurança e que o Ministério da Defesa e outros órgãos governamentais já estão fazendo isso.
(Reportagem da Reuters)
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