UE deve retaliar Rússia após ataque com drone e Alemanha investiga novos casos de sabotagem

Publicado em 02/09/2026 09:58

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Por Andrew Gray e Andreas Rinke

BRUXELAS/BERLIM, 2 Set (Reuters) - A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, prometeu nesta quarta-feira aumentar a pressão sobre a Rússia, inclusive com novas sanções, após uma tentativa de ataque com drone no Aeroporto de Leipzig/Halle, na Alemanha, que, segundo ela, demonstrou a crescente “imprudência” de Moscou.

No mês passado, funcionários do aeroporto encontraram um drone carregado com explosivos e um detonador no local, um importante centro de carga civil e de logística da Otan no leste da Alemanha, que também serve de base para vários gigantescos aviões de carga ucranianos do tipo Antonov An-124.

A Alemanha culpou Moscou pelo ataque, caracterizando-o como parte de uma guerra híbrida destinada a intimidar e causar divisões nos países que se uniram em apoio à Ucrânia após a invasão em grande escala de 2022.

A Rússia nega envolvimento e afirma que responderá ao que o porta-voz de seu Ministério das Relações Exteriores chamou de “ação antirussa”.

“A Europa e a Otan não apenas manterão nossa pressão sobre a Rússia; nós a aumentaremos e não vamos parar — não até que a Rússia pare de bombardear e matar crianças, homens e mulheres inocentes na Ucrânia”, disse von der Leyen em Bruxelas após uma reunião com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte.

“Os europeus se deparam com a dura realidade de que essa é a nova normalidade. Temos que nos mobilizar, e isso significa estar prontos para responder à imprudência da Rússia de forma mais rápida e eficaz.”

O alcance total das novas sanções não ficou claro imediatamente.

A chefe da política externa da UE, Kaja Kallas, disse que o bloco estava trabalhando em sanções relacionadas ao complexo militar da Rússia, e o ministro das Relações Exteriores da França pediu medidas contra a chamada “frota fantasma” russa, composta por navios acusados de contornar as sanções energéticas.

Rutte afirmou que mais drones e mísseis invadiram o espaço aéreo da Otan no flanco oriental da Europa, e que houve um aumento nas atividades maliciosas, incluindo o ataque em Leipzig.

“Se a Rússia acha que seremos divididos pela ameaça, ou se acha que seremos dissuadidos de apoiar a Ucrânia, está enganada”, disse ele.

A UE e vários Estados membros da UE convocaram funcionários da embaixada russa. A Alemanha anunciou que fecharia o consulado-geral da Rússia em Bonn e rescindiria seu acordo com o centro cultural “Russian House” em Berlim.

“É óbvio que a Rússia não percebe o custo político de suas atividades híbridas contra nós. Portanto, para eles, essa é a maneira mais barata de criar tensões em nossa sociedade”, disse o ministro das Relações Exteriores da Lituânia, Kestutis Budrys, em uma reunião de ministros das Relações Exteriores na Irlanda.

ALEMANHA INVESTIGA CASOS DE SABOTAGEM

Enquanto a UE prepara sua resposta, a Alemanha lida com dois novos casos suspeitos de sabotagem em um intervalo de 24 horas.

No primeiro caso, as autoridades investigavam um ato de vandalismo em uma subestação no estado da Renânia do Norte-Vestfália (NRW), no oeste do país, que levou à desconexão da rede de unidades de usinas termelétricas a lignito com uma capacidade combinada de 4.200 megawatts (MW).

Também na terça-feira, dispositivos contendo material condutor danificaram linhas de transmissão em um dos pontos de conexão de alta tensão mais críticos do estado de Brandemburgo, no leste do país.

Nenhum suspeito foi identificado imediatamente, embora o ministro do Interior de NRW tenha afirmado que não se pode descartar a ação de potências estrangeiras ou de extremistas de esquerda.

O ministro do Interior de Brandemburgo, Jan Redmann, afirmou que parecem existir semelhanças entre os ataques, mas ressaltou que as investigações ainda estão em um estágio muito inicial.

Os incidentes ocorrem em um momento político particularmente delicado, já que o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), que defende laços mais estreitos com Moscou, lidera as pesquisas antes das eleições estaduais deste fim de semana.

(Reportagem adicional de Bart H. Meijer, Padraic Halpin, Conor Humphries, John Irish, Dominique Vidalon, Charlotte Van Campenhout, Lili Bayer, Christoph Steitz, Matthias Inverardi e Miranda Murray)

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