BTG Pactual vê cenário desafiador e adota tom conservador no crédito

Publicado em 11/08/2026 13:04 e atualizado em 11/08/2026 14:26

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Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO, 11 Ago (Reuters) - O BTG Pactual tem adotado padrões bastante conservadores para a concessão de crédito, concentrando a atuação em linhas com garantias e de menor risco, afirmou o presidente-executivo do maior banco de investimentos da América Latina, Roberto Sallouti, nesta terça-feira, em meio à avaliação de um ambiente macroeconômico desafiador. 

"O cenário deve piorar antes de melhorar", afirmou o executivo em teleconferência sobre os resultados do banco divulgados mais cedo, que mostraram lucro líquido ajustado de R$5,14 bilhões no segundo trimestre, um crescimento de 22,6% em relação ao mesmo período do ano passado.

Sallouti disse que o BTG vinha incorporando uma expectativa de deterioração da inadimplência registrada pela indústria há bastante tempo nos modelos de concessão de empréstimos. "A inadimplência demorou mais do que esperávamos para aumentar, o que, na verdade, foi algo bastante positivo. Ainda assim, já havíamos considerado esse cenário antecipadamente e reduzido a exposição aos segmentos e produtos de maior risco."

Sallouti afirmou que o BTG está tão preocupado com o nível de inadimplência quanto o restante do mercado, mas afirmou que, até o momento, os indicadores que o banco observa permanecem bastante saudáveis. Também disse que vê a carteira de crédito do banco bem provisionada.

O executivo acrescentou que hoje há um entendimento crescente de que o nível de endividamento das famílias e do governo está elevado e as taxas de juros estão muito altas, e que em algum momento, tudo isso acabará afetando a atividade econômica. O BTG, acrescentou, está concedendo crédito e assumindo riscos no balanço considerando esse cenário. "Acreditamos que esse é um cenário bastante provável. Se ele não se materializar, ótimo."

Na visão do executivo, a demora na deterioração na inadimplência ocorreu porque os gastos do governo cresceram mais do que o esperado, especialmente neste ano. "Esse crescimento acelerou com o ciclo eleitoral, atingindo níveis que consideramos difíceis de sustentar no longo prazo", pontuou, acrescentando que uma desaceleração é inevitável em algum momento, embora não vislumbre nada desastroso.

"Estamos concentrando nossa atuação em linhas de crédito com garantia, porque entendemos que há diversas mudanças importantes ocorrendo no mercado de crédito ao consumidor", ressaltou.

Sallouti citou como exemplo o crédito consignado privado, que muda significativamente a forma de avaliar e precificar risco. "Ainda não está totalmente claro para nós como esse produto se comportará ao longo de um ciclo completo...não estamos expandindo agressivamente no crédito 'clean' (sem garantia), em 'consumer finance', justamente porque acreditamos que o futuro desse mercado pode ser bastante diferente do passado."

O BTG Pactual encerrou o segundo trimestre com um portfólio de crédito de R$367 bilhões, alta de 24% em relação ao mesmo período do ano passado, sendo que carteira de crédito corporativo somou R$288 bilhões (+21,3%) e a de pessoa física R$78 bilhões (+35,2%), sendo esta última com o desempenho apoiado tanto pela originação de consignado privado quanto pelo financiamento de veículos.

O banco trabalha com um cenário de expansão de 15% a 20% para a carteira de crédito corporativo para o ano, com o desempenho consolidado perto de 20%. 

Na bolsa paulista, as units do BTG recuavam 4,85%, para R$50,64, entre os piores desempenhos do Ibovespa, que cedia 1,85%.

(Edição Alberto Alerigi Jr.)

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Fonte:
Reuters

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