Dólar apaga perdas e fecha estável no Brasil sob influência do noticiário político
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 5 Ago (Reuters) - Após ceder abaixo dos R$5,10 pela manhã, o dólar fechou a quarta-feira estável no Brasil, com o mercado reagindo negativamente à indicação do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Com os investidores à espera da decisão sobre juros do Banco Central, marcada para o início da noite, o dólar à vista encerrou o dia com variação negativa de 0,04%, aos R$5,1283 na venda.
Às 17h09, o dólar futuro para setembro -- atualmente o mais líquido -- subia 0,05% na B3, aos R$5,1600.
No início do dia, a nova pesquisa Genial/Quaest mostrou uma diferença menor entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo Planalto. Na projeção de segundo turno, Lula tem 44% das intenções de voto, contra 39% de Flávio, com margem de erro de 2 pontos percentuais. No levantamento anterior, Lula tinha 45% e Flávio somava 37%.
Em função da pesquisa e do exterior favorável, o dólar operou em queda ante o real, chegando a ser cotado abaixo dos R$5,10, mas o cenário mudou no fim da manhã, com o anúncio de Gaspar como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio.
Operador ouvido pela Reuters afirmou que Gaspar -- um nome que não vinha sendo ventilado como vice e que surpreendeu, já que a campanha buscava fortalecer Flávio entre o voto feminino -- não foi bem recebido.
Após marcar a cotação mínima de R$5,0975 (-0,64%) às 11h07, antes do anúncio, o dólar à vista se aproximou dos R$5,13 minutos depois da indicação, zerando as perdas. À tarde, às 14h21, a divisa atingiu o pico do dia, aos R$5,1348 (+0,09%).
No mercado, parte dos agentes ainda avalia que a reeleição de Lula seria um fator negativo para o equilíbrio fiscal. Assim, a piora do petista na pesquisa Genial/Quaest foi percebida como um fator baixista para o dólar ante o real. Por outro lado, uma notícia não tão favorável a Flávio, como a escolha de Gaspar para vice, foi um fator altista.
Além de observarem o cenário político, os investidores aguardavam a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, a ser divulgada após as 18h30. O consenso é de que o BC reduzirá a taxa Selic em 25 pontos-base, mas há dúvidas sobre a continuidade dos cortes em setembro.
Atualmente a Selic está em 14,25% ao ano, bem acima das taxas praticadas em países como EUA e Japão, e esse diferencial de juros vinha sendo apontado nos últimos meses como um fator favorável à atração de dólares para o Brasil. Hoje o cenário é um pouco diferente diante da perspectiva de alta de juros nos EUA e de novas baixas no Brasil.
No exterior, a expectativa de que possa haver um novo acordo entre EUA e Irã para paralisar o conflito no Oriente Médio alimentava a busca por moedas de países emergentes, como o peso colombiano e o peso mexicano, mas as variações eram modestas.
Às 17h07 o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes -- também cedia, para 99,699 (-0,16%).
(Edição de Alexandre Caverni)
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