Dólar tem alta leve no Brasil com atuação de importadores e Oriente Médio no foco
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 3 Ago (Reuters) - O dólar fechou a segunda-feira com leve alta ante o real, em um dia marcado pela esperança de acordo no Oriente Médio, pelo desdobramento da intervenção de EUA e Japão no iene e pela atuação de importadores na compra da moeda norte-americana no Brasil.
O dólar à vista encerrou o dia com alta de 0,38%, aos R$5,0877. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 7,31%.
Às 17h07, o dólar futuro para setembro -- atualmente o mais líquido -- subia 0,06% na B3, aos R$5,1200.
No fim de semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou o adiamento de um novo ataque ao Irã. Além disso, afirmou que o Irã e outros países do Oriente Médio pediram mais tempo para concluir um acordo para reabertura do Estreito de Ormuz, por onde circulam 20% do petróleo e do gás exportados pelos países.
Nesta segunda-feira, o Irã desmentiu que estivesse negociando com os EUA, mas Trump confirmou que as conversas estão em andamento e voltou a ameaçar punir Teerã caso um acordo não seja fechado.
Nesse cenário ainda nebuloso, os agentes se apegaram à possibilidade de avanços nas negociações de paz, o que conduziu a queda do petróleo Brent para a faixa de US$83 o barril e o recuo firme dos rendimentos dos Treasuries.
O dólar operou em baixa ante boa parte das divisas de emergentes no início do dia, incluindo o real, mas o movimento se enfraqueceu ainda durante a manhã. No Brasil, além da influência externa, as cotações refletiram a busca de importadores pela moeda norte-americana.
“O dólar ficou barato e o importador apareceu para comprar”, comentou durante a tarde o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik. “As Tesourarias de bancos também partiram para compras porque estava barato.”
Assim, após atingir a cotação mínima intradia de R$5,0528 (-0,31%), o dólar à vista marcou a máxima de R$5,0922 (+0,47%) às 14h59.
O movimento no Brasil ocorreu em uma sessão em que o dólar se fortaleceu ante uma cesta de moedas fortes, o euro e a libra, mas cedeu ante o iene, na esteira de intervenções do Japão e dos EUA na última semana para segurar a moeda japonesa.
O Japão confirmou nesta segunda que realizou uma intervenção de compra de ienes na última sexta-feira em conjunto com o Tesouro dos EUA. Mas, em vez de comprar ienes e vender dólares, o Tesouro comprou ienes em troca de euros na sexta-feira, conforme o Financial Times.
Às 17h19, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,26%, a 99,969.
Mais cedo, o boletim Focus do Banco Central do Brasil informou que a mediana das projeções dos economistas do mercado para o dólar no fim de 2026 seguiu em R$5,20 e no final de 2027 variou de R$5,29 para R$5,28.
Já a Selic esperada para o fim de 2026 caiu de 14,00% para 13,75%, com os economistas passando a projetar dois cortes de 25 pontos-base da taxa básica até o fim do ano.
Atualmente a Selic está em 14,25% ao ano, bem acima das taxas praticadas em países como EUA e Japão, e esse diferencial de juros vinha sendo apontado nos últimos meses como um fator favorável à atração de dólares para o Brasil. Hoje o cenário é um pouco diferente diante da perspectiva de alta de juros nos EUA e de novas baixas no Brasil.
No campo político, pesquisa BTG/Nexus indicou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 46% das intenções de voto em eventual segundo turno da disputa pelo Planalto, contra 45% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.
(Edição de Alexandre Caverni)
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