Rubio diz que EUA continuam dispostos a negociar sobre crise com Irã
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DUBAI/MANILA, 22 Jul (Reuters) - O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, disse nesta quarta-feira que os Estados Unidos ainda estão dispostos a negociar o fim da crise com o Irã, mas que Teerã não está levando as negociações a sério, já que o conflito, que vem se agravando, interrompeu o tráfego em dois dos pontos estratégicos mais críticos do mundo no setor energético.
Rubio fez essas declarações em uma reunião com ministros das Relações Exteriores do Sudeste Asiático, um dia depois que três petroleiros que transportavam petróleo bruto saudita para a Ásia mudaram de rota no Mar Vermelho, aparentemente em resposta às ameaças dos militantes houthis, do Iêmen, alinhados com o Irã.
Os houthis, que controlam a costa na foz do Mar Vermelho, anunciaram na segunda-feira um bloqueio naval contra a Arábia Saudita, abrindo uma nova frente potencial na guerra que já matou milhares de pessoas em todo o Golfo Pérsico desde que começou, em 28 de fevereiro, com ataques dos EUA e de Israel ao Irã.
Com o Irã já ameaçando a navegação pelo Estreito de Ormuz, que dá saída ao Golfo, o Mar Vermelho tem servido como a principal rota alternativa para a saída de milhões de barris de petróleo saudita por dia.
Uma alta autoridade iraniana disse à Reuters na segunda-feira que Teerã havia recebido uma proposta dos mediadores para um cessar-fogo de 10 dias, em um esforço para salvar o acordo provisório de cessar-fogo assinado pelos EUA e pelo Irã em junho, que substituiu um cessar-fogo anterior, firmado em abril.
Em mais um sinal de que a diplomacia continua viva, o ministro do Interior do Irã, Eskandar Momeni, visitou o Paquistão, que atua como mediador, e pediu a Islamabad que continuasse seus esforços de mediação.
Rubio afirmou que Washington está “sempre comprometida com a diplomacia”, mas duvidou que o Irã esteja igualmente comprometido com as negociações.
“O problema que estamos enfrentando neste momento é que eles não estão levando as negociações a sério. Se eles estiverem sérios, nós também estaremos. Se não estiverem, faremos o que for necessário para proteger nossos interesses e também os interesses de nossos aliados”, disse Rubio em Manila.
Ele enfatizou que não se pode permitir que o Irã controle o Estreito de Ormuz, argumentando que isso criaria um precedente perigoso para o mundo, incluindo os países do Sudeste Asiático, muitos dos quais têm disputas territoriais no Mar do Sul da China com a China.
“Se criarmos um precedente no Oriente Médio em que um Estado-nação possa decidir que vai controlar uma via navegável internacional, cobrar pedágio e, caso você não pague, explodir seus navios, teremos criado um precedente muito perigoso, que se repetirá em outras partes do mundo, inclusive nesta região”, disse Rubio.
Sem nenhum avanço diplomático à vista, as Forças Armadas dos EUA bombardearam alvos em todo o Irã pela 11ª noite consecutiva na terça-feira. Moradores de Teerã relataram ter ouvido explosões nas primeiras horas desta quarta-feira, enquanto o Irã ativava suas defesas aéreas sobre a capital, informou a agência de notícias semioficial iraniana Fars.
Três locais na província de Bushehr, no Irã — onde fica a única usina nuclear do país — foram atingidos por ataques dos EUA na madrugada desta quarta-feira, informou uma autoridade à agência de notícias estatal iraniana IRNA, incluindo um posto de energia elétrica próximo à usina.
O Exército iraniano afirmou ter atacado instalações militares dos EUA no Kuweit, na Jordânia e no Barein com drones na madrugada desta quarta-feira. O Exército informou ter atingido edifícios de alojamento e instalações de armazenamento de equipamentos na base aérea de Al Azraq, na Jordânia, e, posteriormente, ter atacado armazéns de equipamentos e hangares de manutenção de aeronaves na Base Aérea de Sheikh Isa, no Barein, utilizando drones suicidas do tipo Arash.
A Reuters não conseguiu verificar imediatamente os detalhes dos ataques.
O presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou que 18 militares norte-americanos foram mortos até o momento na guerra, incluindo quatro em ataques iranianos a bases militares norte-americanas na Jordânia e no Iraque nos últimos dias.
Os preços do petróleo subiram ainda mais no mercado asiático nesta quarta-feira, após um aumento de mais de 2% na terça-feira em decorrência das ameaças dos houthis, com o petróleo Brent oscilando acima de US$91 o barril e a gasolina nos EUA voltando a custar mais de US$4 o galão.
(Reportagem das Redações da Reuters)
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