Exportadores de grãos da UE podem ver maior demanda após ataques a navios no Mar Negro
![]()
Por Sybille de La Hamaide e Michael Hogan
PARIS/HAMBURGO, 16 Jul (Reuters) - Os países da União Europeia poderiam registrar um aumento na demanda por exportação de grãos caso os ataques a portos e navios no Mar Negro interrompam as vendas da Rússia e da Ucrânia, afirmaram operadores e analistas nesta quinta-feira.
Os preços do trigo dispararam nesta semana, com os contratos futuros dos EUA atingindo máximas de dois anos e o trigo na Euronext subindo para máximas de 17 meses, devido a preocupações de que ataques à infraestrutura portuária e de transporte marítimo possam prejudicar as exportações dos dois importantes fornecedores de trigo em um momento de mercados restritos.
"A União Europeia poderia se beneficiar de uma desaceleração nas exportações russas e ucranianas, mas não há um grande excedente exportável na UE", disse Benoit Fayaud, analista sênior de grãos da consultoria Expana.
Os ataques marcam uma mudança no curso da guerra, durante a qual a Rússia e a Ucrânia geralmente evitavam ataques a navios de exportação de grãos e terminais portuários, apesar do fim do acordo de transporte de grãos no Mar Negro, mediado pela ONU, em 2023.
As tensões se intensificaram depois que drones ucranianos atacaram navios no Mar de Azov, por onde passa cerca de um quarto das exportações russas de grãos. A Rússia também atacou portos e navios ucranianos nesta semana, reduzindo a capacidade de exportação e levando alguns armadores a interromper o envio de embarcações para a Ucrânia.
Com base nos preços atuais, Fayaud disse que qualquer mudança na demanda poderia beneficiar primeiro a Bulgária e a Polônia, depois a Romênia, a Alemanha e a França, embora a França não tenha um grande excedente exportável este ano.
As exportações de trigo da Rússia e da Ucrânia substituíram os suprimentos da Europa Ocidental nos principais mercados importadores, incluindo Egito, Argélia e Arábia Saudita, nos últimos anos. Alguns comerciantes acreditam que uma interrupção prolongada poderia permitir que os exportadores da UE recuperassem as vendas.
"Isso também pode nos permitir recuperar o acesso aos mercados, pelo menos por um período, especialmente porque os primeiros relatos indicam que a qualidade dos grãos é bastante alta", disse Benoit Pietrement, da agência agrícola francesa FranceAgriMer. "Com uma colheita antecipada, isso significa que podemos começar mais cedo."
0 comentário
Entenda a Lei de Reciprocidade, que o Brasil pode adotar contra os EUA
Durigan afirma que estabilidade econômica será mantida apesar de tarifas dos EUA
Rosa diz que 18% das exportações para os EUA enfrentarão tarifas, equivalentes a cerca de US$7 bi
Galípolo diz que argumentos dos EUA contra Pix são desculpa para aplicação de tarifas
Dólar sobe para perto dos R$5,10 com influência de exterior e tarifa dos EUA
Brasil usará reciprocidade contra tarifas no momento adequado e apoiará setores afetados, diz Alckmin