Ibovespa fecha em queda descolado de NY com investidor à espera de decisão dos EUA sobre tarifas

Publicado em 15/07/2026 17:40 e atualizado em 15/07/2026 18:17

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Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO, 15 Jul (Reuters) - O Ibovespa fechou em queda nesta quarta-feira, descolado de Wall Street, com Engie Brasil Energia entre as maiores quedas após precificar oferta de ações, enquanto B3 figurou entre os destaques positivos endossada por "upgrade" do Bank of America.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa cedeu 0,36%, a 176.010,90 pontos, marcando 176.662,60 na máxima e 175.288,17 na mínima. O volume financeiro somou R$39,85 bilhões, em pregão marcado pelo vencimento de opções sobre o Ibovespa.

Em Nova York, o S&P 500 fechou em alta de 0,38%, mesmo viés registrado em praças acionárias na Europa, com novos dados de preços sob os holofotes e um início robusto da temporada de resultados do segundo trimestre nos Estados Unidos.

De acordo com o sócio-fundador da Private Investimento Gustavo Silva, a bolsa brasileira teve um dia "de lado", com investidores na expectativa da decisão dos Estados Unidos envolvendo nova tarifa comercial para produtos brasileiros. 

Fontes que acompanham as discussões afirmaram à Reuters que o Brasil se prepara para a imposição de uma nova tarifa de 25% pelos EUA, que pode atingir mais de 4 mil produtos brasileiros, após meses de negociações intensas, mas em grande parte infrutíferas.

O país deve ser o primeiro alvo em uma nova rodada de tarifas a serem adotadas pelo governo norte-americano contra vários países, depois que a Suprema Corte dos EUA derrubou a política tarifária original do presidente Donald Trump, em fevereiro deste ano

"E ainda tem o lado fiscal pesando, depois que o Senado aprovou aposentadoria especial pra agente de saúde", acrescentou Silva, referindo-se à aprovação da Proposta de Emenda à Constituição que estabelece aposentadoria especial para os agentes comunitários de saúde e de combate às endemias.

DESTAQUES

• ENGIE BRASIL ENERGIA ON caiu 5,11%, após precificar oferta primária de 274.082.684 ações a R$30,50 por papel, desconto de quase 5,5% ante o fechamento da terça-feira, em operação que movimentou R$8,36 bilhões. Do total da oferta, R$5,74 bilhões foram subscritos pela Engie Participações, controladora da Engie Brasil Energia, por meio da integralização de uma fatia de 40% na usina hidrelétrica de Jirau.

• ISA ENERGIA PN recuou 5,03%, tendo no radar pedido da transmissora de oferta primária de ações com lote inicial de 22,2 milhões de papéis preferenciais, em operação com precificação prevista para 23 de julho. O lote inicial poderá ser acrescido em até 100%. A ISA Capital do Brasil, controladora da transmissora, manifestou a intenção de subscrever e integralizar ações na oferta.

• B3 ON avançou 2,35%, endossada por relatório do Bank of America elevando a recomendação da ação para compra, citando que a recente queda das ações criou um ponto de entrada atrativo, com a companhia sendo negociada com múltiplos próximos de suas mínimas históricas. Os analistas também melhoraram a previsão para o lucro em 2026 e o preço-alvo do papel de R$20 para R$22.

• MRV&CO ON fechou com acréscimo de 0,62%, após assinar um memorando de entendimento com a JiveMauá Real Estate para a estruturação de operação de venda de três ativos imobiliários da companhia, com valor potencial de R$166 milhões. A transação envolve os ativos Luggo Pampulha (118 unidades), Luggo Mauá (119 unidades) e Luggo Samambaia (200 unidades). Na máxima, chegou a avançar 3,72%.

• BRASKEM PNA recuou 6,15%, tendo no radar notícias envolvendo as negociações com credores. Em uma delas, a coluna Radar Econômico, da revista Veja, disse que um grupo de detentores de títulos da petroquímica apresentou uma proposta de reestruturação que prevê a diluição dos atuais acionistas da companhia.

• ITAÚ UNIBANCO PN caiu 1,12%, com o sinal negativo prevalecendo entre os bancos do Ibovespa.

• PETROBRAS PN cedeu 0,17% e PETROBRAS ON subiu 0,11%, em pregão de oscilação modesta dos preços do petróleo no exterior, onde o barril sob o contrato Brent encerrou o dia com elevação de 0,26%.

• VALE ON subiu 0,68%, acompanhando a alta dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado em Dalian fechou as negociações diurnas com elevação de 1,13%. No setor, GERDAU PN foi o destaque positivo com alta de 3,77%, com analistas do JPMorgan chamando a atenção para o momento favorável ao setor nos EUA, que poderá beneficiar a companhia.

• ÂNIMA ON, que não faz parte do Ibovespa, desabou 32,75%, após  a companhia divulgar na véspera acordo para a aquisição das Faculdades Metropolitanas Unidas Educacionais (FMU), instituição localizada em São Paulo que está atualmente em recuperação judicial, por R$410 milhões. Analistas do BTG Pactual avaliaram que a operação saiu a um múltiplo elevado e cortaram a recomendação dos papéis para neutra.

(Por Paula Arend Laier, edição Alberto Alerigi Jr. e Igor Sodré)

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Fonte:
Reuters

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