México apresentará queixas criminais nos EUA sobre mortes de mexicanos durante operações de fiscalização de imigração
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Por Aida Pelaez-Fernandez e Raul Cortes
CIDADE DO MÉXICO, 9 Jul (Reuters) - A presidente do México, Claudia Sheinbaum, disse nesta quinta-feira que seu governo planeja apresentar queixas criminais nos EUA em relação a cidadãos mexicanos que morreram sob custódia das autoridades de imigração ou durante operações contra a imigração.
Quatorze cidadãos mexicanos perderam a vida enquanto estavam sob custódia do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE), e outros três morreram em operações de prisão conduzidas pela agência, informou o governo mexicano.
“Não podemos fechar os olhos diante dos mexicanos que morreram”, disse Sheinbaum durante sua coletiva de imprensa diária, acrescentando que as queixas criminais terão como objetivo responsabilizar aqueles considerados culpados por homicídios ou violações dos direitos humanos.
Sheinbaum afirmou que seu governo oferece assistência a todos os cidadãos que a solicitarem, mas “especialmente aos mexicanos cujo único crime é trabalhar honestamente nos Estados Unidos”.
Embora o governo mexicano já tenha se manifestado anteriormente sobre as mortes de cidadãos mexicanos nos EUA, o anúncio desta quinta-feira representa uma crítica significativamente mais contundente, à medida que as relações entre os dois países vizinhos continuam a se deteriorar.
INDO ALÉM DOS CANAIS DIPLOMÁTICOS
O ministro das Relações Exteriores do México, Roberto Velasco, disse que a medida vem após repetidas tentativas frustradas de dialogar com os EUA por meio de canais diplomáticos.
“Vamos ir além da esfera diplomática e recorrer diretamente aos promotores dos EUA para apresentar denúncias sobre esses incidentes, solicitando que sejam investigados como casos criminais”, disse Velasco.
O governo mexicano também entrará com ações civis contra as empresas privadas que operam centros de detenção de imigrantes nos EUA, acrescentou Velasco.
Na terça-feira, um agente do ICE atirou em Lorenzo Salgado Araujo, de 52 anos, cidadão mexicano que vivia ilegalmente nos EUA há três décadas.
Sua morte, que provocou protestos em Houston, elevou para pelo menos seis o número de pessoas mortas a tiros em operações de fiscalização de imigração desde janeiro de 2025, quando o presidente Donald Trump reassumiu o cargo e lançou uma campanha de deportações em massa.
O Departamento de Segurança Interna e o Departamento de Justiça dos EUA não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.
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