Ibovespa fecha em queda com Oriente Médio e juros dos EUA em foco
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Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 8 Jul (Reuters) - O Ibovespa fechou em queda nesta quarta-feira, perdendo o patamar dos 170 mil pontos no pior momento, com o Oriente Médio e a política monetária norte-americana ocupando as atenções de investidores.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,79%, a 170.653,45 pontos, após chegar a 169.972,40 pontos na mínima. Na máxima do dia, marcou 172.017,57 pontos.
O volume financeiro somou R$21,75 bilhões.
O pregão abriu pressionado pela declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que um acordo provisório para encerrar a guerra com o Irã "está acabado", depois que Teerã realizou novos ataques a bases norte-americanas no Golfo.
Em uma escalada de hostilidades, o Irã informou ter atacado instalações militares dos EUA no Barein e no Kuweit, após forças norte-americanas atingirem alvos iranianos em resposta a ataques contra navios-tanque no Estreito de Ormuz.
Trump alertou o Irã de que os EUA provavelmente realizarão novos ataques na noite desta quarta-feira, mas disse que não acredita que um conflito em grande escala venha a eclodir.
Os preços do petróleo responderam com alta relevante aos últimos eventos naquela região. O barril sob o contrato Brent fechou em alta de 5,2%, a US$78,02.
No final da tarde, o Exército dos EUA informou que forças armadas norte-americanas estavam realizando novos ataques contra o Irã.
Em Wall Street, o índice acionário S&P 500 cedeu 0,28%, refletindo também a repercussão da ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve, quando a taxa de juros de referência dos EUA foi mantida na faixa de 3,50% a 3,75%.
O documento mostrou aumento da preocupação com a inflação no encontro do mês passado, o primeiro sob o comando de Kevin Warsh, com alguns participantes vendo motivos para elevar o juro imediatamente, embora tenham apoiado a manutenção.
Na visão da economista Andressa Durão, do ASA, a ata confirma que o cenário base do Fed para a política monetária mudou de uma expectativa de manutenção da taxa de juros ao longo deste ano para a possibilidade de novas altas.
A B3 funcionará normalmente da quinta-feira, feriado no Estado de São Paulo que celebra a Revolução Constitucionalista de 1932.
DESTAQUES
• VALE ON recuou 4,59%, acompanhando as perdas do setor no exterior. Na China, porém, o contrato futuro de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian, para setembro, encerrou a sessão com alta de 0,88%. Na contramão, CSN MINERAÇÃO ON valorizou-se 2,42%.
• PETROBRAS PN subiu 3,15% e PETROBRAS ON avançou 2,79%, endossadas pela alta do petróleo no exterior, oferecendo um contrapeso à pressão negativa do Ibovespa. No setor, PETRORECONCAVO ON saltou 6,04%, tendo ainda no radar dados de produção do segundo trimestre.
• ITAÚ UNIBANCO PN caiu 1,27%, com o setor como um todo pressionado pelo ambiente mais avesso a risco. O índice do setor financeiro da B3 perdeu 0,96%.
• CURY ON cedeu 7,85%, com prévia operacional do segundo trimestre também sob o holofote. TENDA ON, que não está no Ibovespa e também divulgou dados de vendas e lançamentos, recuou 5,09%. O índice do setor imobiliário perdeu 2,95%, tendo ainda de pano de fundo alta nas taxas dos DIs. MRV&CO ON, que também reporta dados nesta semana, caiu 5,84%.
• NATURA ON valorizou-se 5,59%, revertendo a fraqueza da abertura, mesmo após a companhia divulgar estimativa de receita para o segundo trimestre que representou uma queda de 9% a 10% ante o mesmo período de 2025. O índice de consumo, por sua vez, fechou com declínio de 1,15%.
• ULTRAPAR ON avançou 4,11%, referendada por relatório de analistas do Bank of America elevando a recomendação das ações para compra ante neutra, bem como preço-alvo de R$34 para R$37.
(Por Paula Arend LaierEdição de Pedro Fonseca e Igor Sodré)
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