Ex-presidentes e ex-diretores do BC declaram apoio à PEC de autonomia financeira da autarquia

Publicado em 30/06/2026 17:34

Logotipo Reuters

Por Bernardo Caram

BRASÍLIA, 30 Jun (Reuters) - Cinco ex-presidentes e 32 ex-diretores do Banco Central divulgaram nesta terça-feira uma carta em apoio à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que concede autonomia financeira à autarquia, defendendo o texto que aguarda votação no Senado e que enfrenta resistência de membros do governo.

O documento foi assinado pelos ex-presidentes da autoridade monetária Roberto Campos Neto, Alexandre Tombini, Henrique Meirelles, Gustavo Loyola e Wadico Bucchi. O texto, na versão vista pela Reuters, não conta com assinatura dos ex-presidentes Ilan Goldfajn, Arminio Fraga, Gustavo Franco, Persio Arida e Pedro Malan, entre outros.

A carta afirma que o processo de autonomia do BC segue incompleto, com a autarquia tendo acumulado responsabilidades crescentes na preservação da estabilidade monetária e na supervisão do sistema financeiro sem que tenham sido assegurados instrumentos compatíveis com essas atribuições.

Para eles, o texto que tramita no Senado fortalece a capacidade de planejamento, gestão de pessoas e realização dos investimentos necessários ao cumprimento da missão constitucional do BC.

“A autonomia financeira constitui característica presente nos principais bancos centrais autônomos do mundo e representa importante salvaguarda para o exercício independente de suas atribuições legais”, diz a carta.

“É importante destacar que o relatório aprovado pela CCJ não elimina controles democráticos nem cria espaços para atuação discricionária incompatível com os princípios da administração pública.”

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou neste mês a PEC que concede autonomia financeira ao BC, em versão defendida pelo comando da autoridade monetária e que não incorporou sugestão apresentada pelo governo.

Com resistência à proposta, o governo chegou a apresentar um texto alternativo, mantendo o BC como autarquia e prevendo que seus gastos poderiam ser custeados por suas próprias receitas financeiras. A sugestão, no entanto, foi rejeitada na comissão.

A PEC ainda passará por votação no plenário do Senado, antes de ser enviada para apreciação da Câmara dos Deputados.

(Por Bernardo Caram, edição de Isabel Versiani)

Já segue nosso Canal oficial no WhatsApp? Clique Aqui para receber em primeira mão as principais notícias do agronegócio
Fonte:
Reuters

0 comentário