Ibovespa fecha em queda pressionado por Petrobras após acordo entre EUA e Irã

Publicado em 15/06/2026 17:49 e atualizado em 15/06/2026 18:39

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Por Igor Sodre

SÃO PAULO, 15 Jun (Reuters) - Após operar em alta durante boa parte do pregão, o Ibovespa devolveu os ganhos e fechou em queda nesta segunda-feira, pressionado pelo forte recuo da Petrobras devido à queda do petróleo no exterior motivada pelo anúncio de um acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,42%, a 170.415,13 pontos, após ter alcançado 170.351,05 pontos na mínima e 174.228,27 pontos na máxima do dia.

O volume financeiro somou R$29,19 bilhões.

Estados Unidos e Irã assinaram nesta segunda-feira um memorando de entendimento para pôr fim a uma guerra que já dura quase quatro meses, anunciaram autoridades de ambos os lados, acrescentando que uma cerimônia formal de assinatura deve ocorrer na sexta-feira e que o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz vai aumentar significativamente, mas de maneira gradual.

O memorando de entendimento foi assinado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, pelo vice-presidente, JD Vance, e pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, disse uma autoridade norte-americana.

A notícia foi bem recebida pelos mercados globais, impulsionando os ganhos das bolsas e derrubando os preços do petróleo, fazendo o contrato Brent fechar em queda de 4,76%, a US$83,17, pressionando ações de petrolíferas, enquanto o índice acionário norte-americano S&P 500 subiu 1,60%.

O Ibovespa, que em um primeiro momento acompanhou os ganhos dos mercados acionários do exterior, passou a devolver os ganhos durante a tarde, em meio à queda dos papéis da Petrobras e demais petrolíferas do índice.

Localmente, a pesquisa Focus divulgada pela manhã foi destaque, mostrando que as expectativas para a taxa básica de juros em 2026 e 2027 subiram pela segunda vez seguida.

"Muita gente acreditou que seria uma grande tendência de alta hoje entra em conflito com a realidade do Brasil, com o boletim Focus projetando mais inflação por aqui e reduzindo espaço pra corte de juros até o final do ano", disse Felipe Sant'Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing.

A expectativa do mercado para a Selic agora é de 13,75% ao final de 2026 e de 12,00% em 2027, de 13,50% e 11,50% respectivamente na semana anterior. A pesquisa também trouxe elevações também para as projeções de inflação. Os analistas consultados veem agora altas de 5,30% e de 4,10% do IPCA em 2026 e 2027, de 5,11% e 4,03% antes. Para 2028 a conta aumentou em 0,03 ponto percentual, a 3,68%.

"Agora, as atenções se voltam para a Super Quarta. Com Fed e Copom decidindo juros nos próximos dias, o mercado tentará entender se o alívio provocado pelo acordo entre EUA e Irã será suficiente para reduzir os riscos inflacionários e abrir espaço para uma postura menos agressiva dos bancos centrais", disse Marcos Praça, diretor de Análises da Zero Markets Brasil.

DESTAQUES

• PETROBRAS PN caiu 5,3% e PETROBRAS ON perdeu 5,3%, na esteira do declínio dos preços do petróleo. No setor, PRIO ON recuou 6,91%, PETRORECONCAVO ON cedeu 6,5% e BRAVA ON teve baixa de 4%.

• ITAÚ UNIBANCO PN caiu 0,49%, revertendo ganhos vistos mais cedo no setor. BRADESCO PN recuou 0,84%, BANCO DO BRASIL ON perdeu 0,36% e SANTANDER BRASIL UNIT teve queda de 0,15%, enquanto BTG PACTUAL UNIT ganhou 0,97%.

• VALE ON avançou 2,51%, endossada pela alta do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado em Dalian subiu 0,72%. No setor de mineração e siderurgia, CSN ON valorizou 0,66% e CSN MINERAÇÃO ON subiu 2,09%, enquanto USIMINAS PNA teve queda de 0,46% e GERDAU PN caiu 2,18%.

• ONCOCLÍNICAS ON, que não está no Ibovespa, caiu 1,64%, tendo no radar decisão da administração de convocar assembleias gerais de debenturistas (AGDs) da 9ª emissão e da 11ª emissão de debêntures simples para 6 de julho para decidir sobre os termos e condições da reestruturação da dívida da companhia, incluindo um eventual plano de recuperação extrajudicial.

(Por Igor SodréEdição de Pedro Fonseca)

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Fonte:
Reuters

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