Ibovespa fecha em queda com aumento de tensão geopolítica

Publicado em 10/06/2026 17:33

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Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO, 10 Jun (Reuters) - O Ibovespa fechou em queda nesta quarta-feira, quase perdendo o patamar de 168 mil pontos no pior momento, contaminado pela aversão a risco decorrente do aumento da tensão geopolítica, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar atacar o Irã "com muita força". 

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,7%, a 168.619,26 pontos, renovando mínima desde janeiro. Na máxima do dia, marcou 169.812,46 pontos. No piso, registrou 168.070,99 pontos. O volume financeiro no pregão somou R$26,1 bilhões.

Trump afirmou nesta quarta-feira que os EUA atacarão o Irã "com muita força" se nenhum acordo de paz for alcançado.

Washington, segundo o republicano, atua em resposta à derrubada de um helicóptero Apache pelo Irã no Estreito de Ormuz. "Vamos atacá-los, atacá-los com muita força", disse Trump a jornalistas na Casa Branca, afirmando que os EUA devem atacar o Irã nesta quarta-feira.

Declarações de Trump de que as Forças Armadas dos EUA escoltaram secretamente navios que transportavam mais de 100 milhões de barris de petróleo para fora do Estreito de Ormuz, porém, ajudaram a atenuar a alta dos preços do petróleo. O barril da commodity sob o contrato Brent fechou em alta de 1,8%, a US$93,10.

Dados de inflação nos EUA também ocuparam as atenções. O índice de preços ao consumidor norte-americano subiu 4,2% nos 12 meses até maio, em linha com o esperado, mas ainda a maior alta desde abril de 2023. Na comparação mensal, os preços aumentaram 0,5%. Excluindo os componentes voláteis de alimentos e energia, o núcleo do índice subiu 2,9% em maio em na base anual e 0,2% ante abril.

De acordo com a economista Andressa Durão, do ASA, o dado de maio continua ilustrando o forte impacto da guerra na inflação cheia, enquanto a contaminação para os núcleos permanece contida. "Nossa visão para a política monetária do Fed (banco central dos EUA) permanece de taxa de juros parada ao longo do ano, com riscos cada vez mais inclinados para cima, diante dos riscos no radar e de uma inflação de serviços pressionada, mesmo sem efeitos da guerra", afirmou.

Em Nova York, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, caiu 1,62%, pressionado ainda pelo setor de tecnologia.

No Brasil, investidores também repercutiram nova pesquisa Genial/Quaest, que mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva à frente do senador Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno da eleição presidencial de outubro.

Estrategistas do Bank of America cortaram o Brasil para "marketweight" em seu portfólio de ações para América Latina, citando uma perspectiva mais desafiadora para as taxas de juros e expectativas mais fracas para os resultados corporativos. Mas, no relatório com data da véspera, também destacaram que a volatilidade relacionada às eleições está aumentando.

     

    DESTAQUES

• VALE ON recuou 1,02%, mesmo com a alta dos futuros do minério de ferro na China, após dados comerciais mensais positivos da segunda maior economia do mundo. O contrato mais negociado na bolsa de Dalian fechou em alta de 1,51%.

• PETROBRAS PN avançou 1,17%, acompanhando os preços do petróleo no exterior. A estatal também divulgou que assinou contrato com a Equinor para aquisição de 50% de participação do bloco Itaimbezinho, no pré-sal da Bacia de Campos.

• ITAÚ UNIBANCO PN subiu 0,36%, exceção entre os bancos do Ibovespa. BRADESCO PN caiu 0,98%, BANCO DO BRASIL ON recuou 0,58%, SANTANDER BRASIL UNIT cedeu 0,63% e BTG PACTUAL UNIT caiu 3,24%.

• TOTVS ON fechou em queda de 7,02%, contaminada pelo desempenho negativo de ações de softwares nos EUA.

• MAGAZINE LUIZA ON perdeu 6,74% e NATURA ON recuou 5,65%, com ações sensíveis a juros na ponta negativa do Ibovespa. Apesar do alívio nas taxas dos DIs, curva futura de juros continuou precificando alta da Selic no segundo semestre.

(Edição Alberto Alerigi Jr.)

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Fonte:
Reuters

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