Irã ataca bases americanas no Golfo após Trump ordenar ataques perto de Ormuz

Publicado em 10/06/2026 07:21 e atualizado em 10/06/2026 08:20

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DUBAI/WASHINGTON, 10 Jun (Reuters) - A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter realizado ataques com mísseis e drones contra bases militares americanas na Jordânia, no Kuweit e no Barein nesta quarta-feira, em retaliação aos ataques dos EUA contra alvos iranianos na região do Estreito de Ormuz.

A troca de ataques, ocorrida depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o Irã havia derrubado um helicóptero Apache norte-americano perto do estreito, marca uma das escaladas mais significativas desde que Washington e Teerã concordaram com um cessar-fogo em abril.

“Acredito que a resposta deva ser muito forte, muito poderosa, e é isso que esta resposta representa”, disse Trump à ABC News na terça-feira.

As Forças Armadas dos EUA afirmaram ter atacado defesas aéreas iranianas, estações de controle terrestre e instalações de radar de vigilância no que descreveram como uma “resposta proporcional” ao abate do helicóptero, cujos dois tripulantes foram resgatados.

Os ataques de retaliação, poucos dias depois de o Irã ter trocado tiros com Israel pela primeira vez desde o cessar-fogo, lançam novas dúvidas sobre as perspectivas de um acordo para encerrar a guerra, que começou em 28 de fevereiro com ataques conjuntos dos EUA e de Israel ao Irã.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã disse que Teerã “reavaliaria” seu envolvimento diplomático com Washington após “repetidas violações do cessar-fogo”.

"Qualquer processo diplomático requer um ambiente mínimo de estabilidade", disse Esmaeil Baghaei.

Os ataques dos EUA duraram cerca de quatro horas na terça-feira, com o Comando Central informando pouco antes das 22h no horário de Brasília que as operações haviam terminado. Uma autoridade norte-americana disse que quase 20 alvos iranianos foram atingidos.

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC na sigla em inglês) informou que a Ilha de Qeshm e a cidade portuária de Sirik foram atacadas. A mídia iraniana também noticiou explosões em Bandar Abbas, outra cidade portuária, e posteriormente perto de Jask, na entrada do Estreito de Ormuz.

IRÃ ATACA BASES DOS EUA

A IRGC afirmou ter atacado bases americanas no Barein, Kuweit e Jordânia com drones e mísseis em resposta à nova “agressão dos EUA”.

Afirmou ter disparado mísseis de longo alcance contra quatro locais na base norte-americana de al-Azraq, na Jordânia, incluindo hangares de caças F-35 e um centro de comando e controle, e que estava pronta para dar uma resposta “esmagadora e decisiva” a qualquer nova ação dos EUA.

Uma autoridade norte-americana, falando sob condição de anonimato, disse que as avaliações iniciais indicavam que quase todos os mísseis e drones iranianos haviam sido interceptados, sem relatos imediatos de ferimentos a pessoal norte-americano ou danos às instalações dos EUA. O Pentágono não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. A Reuters não conseguiu verificar imediatamente os relatos do campo de batalha.

As forças armadas da Jordânia afirmaram ter interceptado e abatido cinco mísseis lançados do Irã em direção a al-Azraq, e que os destroços que caíram não causaram feridos nem danos.

O Ministério da Defesa do Kuweit informou ter interceptado “alvos aéreos hostis”, enquanto as defesas aéreas do Barein repeliram ataques iranianos, disse um assessor de mídia do rei em X. O Kuweit abriga instalações militares dos EUA, incluindo uma importante base aérea, enquanto o Barein é sede da frota regional da Marinha dos EUA.

As ações asiáticas caíram e os preços do petróleo subiram em meio às renovadas hostilidades, embora os movimentos tenham sido mais moderados do que em conflitos anteriores no Golfo.

TRUMP MINIMIZA PERDA DE HELICÓPTERO

O helicóptero de ataque dos EUA foi abatido por um drone de ataque iraniano de uso único, segundo uma autoridade norte-americana que falou sob condição de anonimato. Dois tripulantes norte-americanos saíram ilesos, disse Trump.

O helicóptero caiu em águas ao largo da costa de Omã enquanto patrulhava, informou o exército dos EUA, acrescentando que a Marinha localizou e resgatou a tripulação.

A mídia estatal iraniana, citando uma fonte militar, afirmou que nenhuma operação aérea ofensiva havia sido realizada no Estreito de Ormuz nas últimas 24 horas.

O Comando Central das Forças Armadas dos EUA informou que os dois tripulantes foram resgatados após duas horas e que se encontravam em condição estável — uma avaliação mais cautelosa do que a descrição de Trump.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, não abordou diretamente o incidente, mas alertou em uma postagem no X que as forças estrangeiras na região correm o risco de acidentes ou fogo cruzado.

“Para reduzir o risco, a melhor solução é que eles saiam”, escreveu ele.

Em declarações posteriores ao Wall Street Journal, Trump minimizou o incidente, dizendo que “não foi nada demais” e enfatizando que “o piloto está bem”.

No entanto, o episódio provavelmente aumentará ainda mais a tensão nos esforços para negociar um acordo de paz que ponha fim à guerra mais ampla no Oriente Médio e reabra o Estreito de Ormuz.

ACORDO DE PAZ PARECE REMOTO

O cessar-fogo no início de abril foi anunciado com planos para negociações de paz. Desde então, diplomatas têm buscado reabrir o Estreito de Ormuz, pôr fim ao bloqueio dos EUA aos portos iranianos e criar um caminho para negociações sobre o programa nuclear do Irã.

Trump afirmou repetidamente que um acordo está próximo, mas, apesar de várias rodadas de negociações indiretas mediadas pelo Paquistão e pelo Catar, os dois lados ainda parecem distantes.

Os combates em uma guerra paralela entre Israel e militantes do Hezbollah, apoiados pelo Irã, no Líbano continuaram, e Teerã manteve restrições à maior parte do tráfego marítimo pelo estreito, que antes da guerra transportava um quinto do petróleo bruto e do gás natural liquefeito do mundo. Washington manteve seu próprio bloqueio aos portos iranianos.

Trump afirmou que qualquer acordo de paz deve garantir que o Irã não possa desenvolver uma arma nuclear. O Irã nega ter tais ambições.

As exigências do Irã incluem o levantamento das sanções internacionais, a liberação de bilhões de dólares em ativos congelados, o reconhecimento de seu controle sobre o estreito e o fim dos combates no Líbano.

(Reportagem das agências da Reuters)

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Fonte:
Reuters

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