Dólar sobe em dia negativo para ativos brasileiros e acumula alta de 1,82% em maio
![]()
Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 29 Mai (Reuters) - O dólar fechou a sexta-feira em alta no Brasil, em uma sessão no geral negativa para os ativos brasileiros, com fluxo de saída de estrangeiros da bolsa e cautela em relação ao cenário econômico, enquanto no exterior os agentes aguardavam por um desfecho nas negociações entre EUA e Irã.
A moeda norte-americana à vista encerrou o dia com alta de 0,24%, aos R$5,0453. Na semana, o dólar acumulou ganho de 0,27% e, em maio, alta de 1,82%.
Às 17h31, o dólar futuro para julho -- que nesta sessão passou a ser o mais líquido no mercado brasileiro – cedia 0,18% na B3, aos R$5,0700.
Na primeira metade do dia parte dos agentes operou tendo como foco a determinação da Ptax de fim de mês. Calculada pelo Banco Central com base nas cotações do mercado à vista, a Ptax serve de referência para a liquidação de contratos futuros. No fim de cada mês, agentes financeiros tentam direcioná-la a níveis mais convenientes às suas posições, sejam elas compradas (no sentido de alta das cotações) ou vendidas em dólar (no sentido de baixa).
Em meio à disputa, a moeda norte-americana à vista atingiu a cotação máxima da sessão de R$5,0722 (+0,77%) às 11h51.
Definida a Ptax (R$5,0563 para compra e R$5,0569 para venda) no início da tarde, o dólar passou a oscilar sem a influência técnica da disputa, mas se manteve no território positivo, em uma sessão de perdas para os ativos locais.
“Quando olhamos para o cenário externo, estamos em um dia positivo para ativos norte-americanos, com os índices de ações subindo, mas mais uma vez os ativos domésticos estão sofrendo. O Ibovespa está em mais uma semana de queda e o dólar sobe”, comentou durante a tarde Tadeu Arantes, head de alocação da gestora Ghia.
“Este movimento é explicado pela dinâmica de fluxo externo. O rali anterior de ativos brasileiros foi explicado pela rotação de fluxo global, que foi destinado para países emergentes, mas a narrativa que beneficiou o Brasil mudou um pouco agora”, acrescentou Arantes. “O fluxo de investimentos para emergentes continua, mas para países que se beneficiam mais da inteligência artificial, como Taiwan e Coreia do Sul, enquanto o Brasil acaba ficando para trás.”
De fato, de janeiro a abril a bolsa brasileira havia recebido R$42,4 bilhões em investimentos estrangeiros, excluindo operações com novas ofertas de ações e ofertas iniciais. Somente em maio, até o dia 27, saíram da bolsa R$14,1 bilhões em investimentos estrangeiros. Este fluxo de saída acaba impactando o câmbio.
Outro ponto de atenção nesta sexta-feira foi a notícia de que os EUA vão designar como terroristas as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).
Para além das implicações políticas, ainda não estão claros os efeitos macroeconômicos e sobre as empresas que atuam no Brasil, mas há a percepção de que os prêmios de risco para os ativos brasileiros podem aumentar.
“É um fator a mais a ser considerado na hora de o estrangeiro alocar no Brasil”, avaliou Arantes.
Na agenda de indicadores, destaque para o avanço de 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre de 2026 ante os três meses anteriores, acelerando ante a alta de 0,3% do último trimestre de 2025. Economistas ouvidos pela Reuters projetavam avanço de 1,0% no primeiro trimestre deste ano. Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, o PIB cresceu 1,8%, em linha com a expectativa.
O resultado reforçou as preocupações com a inflação, colocando em dúvida a continuidade do ciclo de cortes da taxa básica Selic nos próximos meses.
Atualmente a Selic está em 14,50% ao ano, bem acima das taxas praticadas em países como EUA e Japão, e este diferencial de juros vinha sendo apontado nos últimos meses como um fator favorável à atração de dólares para o Brasil.
No exterior, as atenções se voltaram novamente para o Oriente Médio. O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou em uma publicação nas redes sociais que tomará ainda nesta sexta-feira uma decisão final sobre um acordo entre EUA e Irã, enquanto uma fonte iraniana disse que um entendimento político entre os dois países ainda não foi finalizado.
Com os mercados à espera de uma definição, no fim da tarde o dólar tinha sinais mistos ante as demais moedas no exterior. Às 17h31, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,06%, a 98,932.
(Edição de Isabel Versiani)
0 comentário
Wall Street recua após declarações de Trump sobre Irã pesarem sobre os mercados
Trump diz acreditar que Israel retirará tropas do sul do Líbano
PF faz busca na casa de Bolsonaro à procura de armas, mas não encontra nada, diz advogado
Gerp: Flávio tem 45% contra 42% de Lula no 2º turno
Rússia lança terceiro ataque aéreo contra Kiev em uma semana, dizem autoridades
Fed divulga ata em meio a debate entre analistas sobre se Warsh irá reduzi-la