Dólar fecha estável, perto de R$5,00, com expectativa de acordo EUA-Irã
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 21 Mai (Reuters) - O dólar terminou a quinta-feira praticamente estável no Brasil, colado nos R$5,00, na esteira de uma melhora generalizada dos mercados em todo o mundo em função de rumores sobre uma versão final de um acordo entre EUA e Irã para acabar com a guerra no Oriente Médio.
O dólar à vista fechou com leve baixa de 0,05%, aos R$5,0005. No ano, a divisa passou a acumular queda de 8,90% ante o real.
Às 17h03, o dólar futuro para junho -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- subia 0,03% na B3, aos R$5,0100.
Até perto das 14h o dólar vinha oscilando entre a estabilidade e leves altas ante o real, enquanto no exterior a moeda norte-americana exibia ganhos ante boa parte das demais divisas, refletindo preocupações com a guerra no Oriente Médio.
Após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar na véspera que poderia esperar alguns dias pelas “respostas certas” de Teerã, nesta quinta-feira uma reportagem da Reuters informou que o líder supremo iraniano, aiatolá Mojtaba Khamenei, determinou que o urânio do país, com grau de pureza próximo ao usado em armas, não seja enviado ao exterior.
O destino do estoque de urânio enriquecido é um dos pontos sensíveis nas negociações de paz entre os dois países e, por isso, a determinação de Khamenei foi vista como um endurecimento de Teerã nas negociações de paz.
Pouco depois das 14h, porém, os mercados globais viraram em função de rumores sobre a existência de uma versão final para um acordo entre EUA e Irã. O otimismo renovado fez o petróleo virar para o negativo e os rendimentos dos Treasuries despencarem, enquanto o dólar perdeu força ante as demais moedas.
Após atingir a máxima intradia de R$5,0260 (+0,46%) às 9h30, ainda na primeira hora de negócios, o dólar à vista marcou a mínima de R$4,9832 (-0,40%) às 14h20, em meio às expectativas de um acordo.
“O cenário teve alívio após relatos da mídia saudita sinalizarem o anúncio de um acordo de cessar-fogo mediado, com foco na liberdade de navegação, embora ainda sem menção à questão nuclear”, disse Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito.
“O alívio externo -- principalmente nos juros longos americanos -- ajudou a conter a força global do dólar e permitiu ao real sustentar as oscilações próximo ao patamar de R$ 5,00”, acrescentou.
No campo político, o principal foco de atenção no Brasil ainda é o noticiário sobre as relações entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-dono do Master, Daniel Vorcaro, que está preso.
Desde a semana passada, Flávio tem lutado para explicar um pedido de dinheiro a Vorcaro para financiar um filme sobre a história de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso por tentativa de golpe de Estado.
Flávio alega ter buscado recursos privados para o filme, sem oferecer qualquer vantagem em troca. Vorcaro está no centro de um dos maiores escândalos financeiros da história do Brasil, que levou a um desembolso de bilhões de reais do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Durante a tarde, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse em um evento que “ainda vai aparecer muito mais coisa” no caso que envolve Flávio e Vorcaro.
No mercado, um dos receios é de que a candidatura de Flávio ao Planalto siga sendo desgastada pelo escândalo, elevando as chances de reeleição de Lula.
No fim da manhã, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1º de junho.
No exterior, às 17h09, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,06%, a 99,196.
(Edição de Pedro Fonseca e Isabel Versiani)
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