Ibovespa sobe na abertura com aval do exterior
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SÃO PAULO, 20 Mai (Reuters) - O Ibovespa avançava nesta quarta-feira, superando 177 mil pontos no melhor momento, em movimento puxado principalmente pelas ações de bancos e endossado pelo viés relativamente positivo no exterior, um dia após marcar mínimas desde janeiro.
Por volta de 11h40, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, subia 1,49%, a 176.875,71 pontos, tendo chegado a 177.470,45 pontos na máxima até o momento. O volume financeiro somava R$7,38 bilhões.
No cenário externo, Wall Street mostrava o S&P 500 com sinal positivo, em meio a expectativas para o balanço da Nvidia, enquanto rendimento do título de 10 anos do Tesouro norte-americano cedia a 4,6193%.
As cotações do petróleo também recuavam nesta sessão, corroborando a melhora no apetite a risco, mas a cautela quanto a um desfecho no conflito no Oriente Médio permanece, assim como a interrupção no fornecimento do Oriente Médio, mantendo preocupações com os reflexos do novo patamar de preço da commodity para a inflação no mundo.
O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou na terça-feira a parlamentares na Casa Branca que os Estados Unidos "terminarão a guerra muito rapidamente" com o Irã. Nesta quarta-feira, Trump disse a jornalistas que não tem pressa em encerrar o conflito com o Irã, afirmando que atingir os objetivos da missão é mais importante do que estabelecer um cronograma para sua conclusão.
Na visão do analista Gabriel Mollo, Daycoval Corretora, o mercado global segue operando sob a lógica de uma guerra prolongada no Oriente Médio, e não mais apenas sob a volatilidade dos anúncios de Trump.
"A manutenção do Estreito de Ormuz parcialmente comprometido mantém o (preço do) petróleo em patamares elevados...reforçando a leitura de inflação global mais persistente", acrescentou.
Investidores também estão na expectativa da ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve, que deve mostrar a profundidade das diferenças entre as opiniões das autoridades do banco central norte-americano sobre a direção da taxa de juros e a gravidade da inflação.
No cenário doméstico, Mollo observou aumento da incerteza política, com o caso envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro contaminando a percepção eleitoral para 2026, após pesquisas indicarem perda de competitividade do pré-candidato do PL à Presidência frente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"O mercado interpreta esse enfraquecimento como redução da probabilidade de alternância política e, por consequência, menor chance de uma agenda fiscal mais ortodoxa no próximo ciclo", acrescentou.
Do ponto de vista gráfico, analistas do Itaú BBA afirmaram que o Ibovespa entrou em uma tendência de baixa no curto prazo e terá que superar a região de 179.500 pontos para retornar a um cenário neutro, conforme o relatório Diário do Grafista, enviado a clientes nesta quarta-feira.
DESTAQUES
• ITAÚ UNIBANCO PN avançava 2,5%, em dia de forte recuperação dos bancos, com BRADESCO PN em alta de 2,59%, BANCO DO BRASIL ON subindo 1,68% e SANTANDER BRASIL UNIT valorizando-se 1,91%.
• VALE ON tinha alta de 0,37%, endossada pela melhora dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado em Dalian encerrou com acréscimo de 0,19%. No setor, CSN MINERAÇÃO ON subia 6,62%, tendo também como pano de fundo novo programa de recompra de ações da companhia.
• PETROBRAS PN cedia 2,06% e PETROBRAS ON perdia 2,07%, em sessão com queda do petróleo no exterior, onde o barril sob o contrato Brent recuava 3,95%, a US$106,88.
• B3 ON valorizava-se 4,59%, também recuperando-se da perda expressiva da véspera (-4,96%) quando a companhia anunciou o novo presidente-executivo.
• AZZAS 2154 ON subia 3,62%, em movimento referendado pelo alívio nas taxas dos DIs, que favorecia o setor como um todo. O índice de consumo na B3 avançava 2,92%. A companhia também disse que contratou o Itaú BBA como assessor financeiro para a avaliação de diversas oportunidades estratégicas, em um momento de escalada na tensão entre os principais sócios da companhia.
• SLC AGRÍCOLA ON perdia 2,08%, no segundo pregão seguido de queda. Na semana passada, o presidente-executivo disse que a companhia, uma das maiores produtoras de grãos e oleaginosas do Brasil, buscará mitigar riscos diante de cenário de El Niño e preços mais altos de fertilizantes para a safra 2026/27.
(Edição Alberto Alerigi Jr.)
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